A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. CAP.139
CAPÍTULO CENTO E TRINTA E NOVE — NÃO VOU DESISTIR.
VICTOR BALTIMOR.
Minha mãe apertou um pouco minha mão e arregalou os olhos. Ela fez menção de que iria falar, mas foi meu irmão que falou primeiro.
— Onde, meu irmão? Você está se lembrando? — perguntou Thomas, esperançoso.
Respirei fundo.
— Não, não me lembrei de nada. Senti esse perfume em um sonho.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Minha mãe ficou completamente imóvel. Thomas me encarava como se tentasse entender se eu estava falando sério.
— Victor… — disse ele finalmente — você estava dormindo. É normal ter sonhos vívidos nesse estado.
Ignorei o comentário dele. Meu olhar voltou para a porta mais uma vez.
— Ela estava aqui — comentei, olhando para eles.
Vi quando minha mãe engoliu em seco.
— Quem esteve aqui, querido? — perguntou ela, um tanto apreensiva para o meu gosto.
Demorei um segundo para responder.
— A mulher do sonho.
Thomas soltou uma respiração aliviada, mas adotou uma postura impaciente em seguida.
— Victor…
— Eu não estou delirando — cortei, olhando diretamente para ele.
Minha cabeça ainda latejava, mas minha mente estava completamente lúcida.
— O perfume está aqui — falei e inspirei novamente. — Não é de nenhum funcionário do hospital, nem de nenhum de vocês.
Minha mãe pareceu ficar mais apreensiva. Isso era estranho. Porque dessa reação?
— Victor, querido… — começou, mas olhei para ela e a interrompi.
— Você tem certeza de que ninguém entrou aqui?
Ela hesitou por um segundo. Apenas um segundo. Mas eu percebi.
— Só as enfermeiras — respondeu finalmente.
Thomas passou a mão pela nuca.
— Victor, você acabou de sair de uma sedação forte, após ter nos dado um grande susto, quando desmaiou. Foi uma loucura aqui nesse quarto, com enfermeiros e médicos correndo de um lado para o outro, para te socorrer. Seu cérebro ainda está processando muita coisa.
— Não — declarei. Minha voz saiu baixa, mas firme. — Alguém esteve aqui.
— As câmeras do corredor — repeti. — Quero saber quem entrou neste quarto enquanto eu dormia.
Minha mãe ficou visivelmente nervosa, apertando minha mão com mais força.
— Victor, isso é desnecessário…
— Eu quero saber, mamãe — falei. Minha voz saiu mais firme e senti uma dor na garganta.
Thomas ficou em silêncio por alguns segundos, claramente avaliando a situação.
— Você acha que alguém entrou aqui escondido?
— Eu não acho — falei e olhei novamente para a porta. — Eu tenho certeza.
Minha mãe respirou fundo.
— Victor…
— Verifique as câmeras, Thomas.
Meu irmão e minha mãe trocaram um olhar tenso. O tipo de olhar que as pessoas trocam quando estão escondendo alguma coisa. Aquilo só me deu mais certeza na minha desconfiança. A tensão no quarto parecia quase palpável.
— Quero ver quem esteve aqui, e não vou desistir até saber.
Thomas ficou completamente sério, e minha mãe suspirou, parecendo derrotada.

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