VICTOR BALTIMOR.
A primeira coisa que senti ao acordar foi o peso.
Era como se meu corpo inteiro estivesse preso a algo invisível. Minha cabeça parecia cheia de algodão e meus pulmões ainda lutavam para encontrar um ritmo normal. Levei alguns segundos para perceber onde estava.
— Ainda estou nesse hospital. — Pensei.
O cheiro característico de antisséptico invadiu minhas narinas enquanto eu abria os olhos lentamente. A luz branca do quarto me fez franzir o cenho imediatamente. Minha visão estava embaçada e, por alguns segundos, precisei piscar várias vezes para conseguir focar.
Tentei me mover. O que foi uma péssima ideia.
Uma fraqueza absurda percorreu meu corpo inteiro. Meu braço parecia pesado demais para obedecer ao meu comando.
— Finalmente acordou. — Ouvi a voz grave que veio da direita.
Virei o rosto devagar e encontrei meu irmão sentado na poltrona, observando-me com um sorriso sacana.
— Thomas — falei com a voz falha, parecia que eu tinha dormido por muito tempo.
Então, uma memória surgiu: era meio confusa. Antunes disse que Elisa esteve no meu quarto e, logo em seguida, eu fui sedado. Me colocaram para dormir à força. Senti a irritação surgindo.
— Quanto… tempo? — perguntei, minha voz saindo rouca e fraca, mas com sinal de irritação. Minha garganta estava muito seca, o que causava muito incômodo.
Thomas se levantou e se aproximou da cama, pegou o copo de água na mesa ao lado e colocou um canudo próximo aos meus lábios.
— Beba devagar. Isso vai te ajudar com o incômodo na garganta.
Obedeci. A água desceu pela garganta como se eu estivesse atravessando um deserto há dias. E foi um alívio.
— Agora responda — murmurei após alguns goles. — Quanto tempo me forçaram a dormir?
Thomas suspirou.
— Entenda, meu irmão, que foi preciso. Só pensamos na sua recuperação. Você ficou adormecido por alguns dias.
Franzi a testa imediatamente.
— Alguns… dias? Seja mais objetivo, meu irmão.
— Você dormiu por uma semana, Victor.
Aquilo me irritou instantaneamente.
— Uma semana sedado? — repeti, sentindo a irritação crescer. — Quem autorizou isso?
A porta do quarto se abriu naquele momento. Minha mãe entrou rapidamente.
— Graças a Deus, você acordou, meu filho! — disse ela, aproximando-se da cama com evidente alívio.
Mas minha atenção estava em outra coisa.
— Mãe… — minha voz saiu mais firme agora — quem autorizou me sedar à força?
Fechei os olhos por um instante. Eu estava aliviado por não ficar com sequelas. Esse diagnóstico explicava o cansaço que estou sentindo agora. E a sensação de tempo perdido.
— Terei que me adaptar a essa minha curta realidade.
— Sim, meu filho. Mas estaremos todos contigo. Sua família estará ao seu lado, sempre.
— Obrigado, mamãe — comentei, agradecido.
Mas outra coisa começou a incomodar minha mente imediatamente.
Uma lembrança voltou com força. O cheiro e aquela voz invadiram minha mente. Fechei meus olhos e permiti, senti aquela sensação de paz que aquela memória me trazia.
Abri os olhos novamente e olhei diretamente para minha mãe.
— Antunes disse que Elisa esteve aqui.
O silêncio que se seguiu foi imediato. Thomas desviou o olhar. Minha mãe ficou completamente imóvel. Então eles sabiam e esconderam de mim. Mentiram descaradamente.
— O que ela fazia no meu quarto? — perguntei com firmeza.
— Victor… — começou minha mãe.
— Mamãe, não tente me enrolar, eu fiz uma pergunta. E quero uma resposta e agora.
Minha voz saiu fraca, mas fria. Thomas então soltou um suspiro.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.