VICTOR BALTIMOR.
Olhei para meu irmão. Eu estava impaciente e queria uma resposta.
— Ela veio te ver. É sua noiva e mãe dos seus filhos.
Franzi o cenho.
— Eu não me lembro de nada disso e havia proibido que ela entrasse.
— Sim, você a expulsou daqui e infelizmente a esqueceu. Foi por esse motivo que ela entrou aqui enquanto você dormia. Elisa não queria prejudicar sua recuperação, mas precisava muito estar contigo. Aquela mulher te ama, e muito, e sofreu muito com tudo que aconteceu. Foram dias difíceis para todos nós, Victor. E Elisa está grávida. Por esse motivo, ajudamos ela a entrar aqui para te ver.
Fiquei em silêncio por alguns segundos. Curiosamente, não senti raiva. Senti curiosidade e algo mais. Mas não soube explicar o que era.
— Quanto tempo ela ficou aqui?
— Não muito — respondeu minha mãe rapidamente. — Apenas alguns minutos.
Olhei para o teto, pensativo. O cheiro voltou à minha memória, aquele mesmo aroma suave. Eu lembrava claramente.
— Ela estava perto da cama?
Minha mãe arqueou a sobrancelha e hesitou em responder, mas acabou falando.
— Sim.
— Falou alguma coisa?
Thomas respondeu dessa vez.
— Talvez. Acreditamos que sim.
Virei o rosto lentamente para encará-lo.
— Talvez?
— Estávamos aqui com ela no começo, mas saímos depois. Não sabemos o que ela lhe falou, Victor. Demos espaço para Elisa ficar um pouco com você.
— Então ninguém sabe o que ela disse.
— Não — respondeu minha mãe.
Fiquei em silêncio novamente. A imagem do sonho voltou à minha mente, a voz suave e a dor na voz daquela mulher. E aquele cheiro maravilhoso que me acalmava.
— Preciso vê-la — declarei.
Minha mãe franziu a testa imediatamente.
— Victor…
— Preciso confirmar uma coisa. — declarei com firmeza.
Thomas cruzou seus braços, enquanto me observava com atenção. Eu precisava saber se ela é a mulher do meu sonho.
— Confirmar o quê?
Olhei diretamente para ele.
— Se é ela — comentei, impaciente e tentando não falar muito, pois já estava muito cansado. Então usava frases curtas para não me cansar muito.
— Ela, quem?
Respirei fundo com impaciência.
— A mulher do sonho, Thomas. Quem mais seria? Eu que durmo e você que fica lerdo?
Minha mãe passou a mão pelo rosto, claramente preocupada.
— Victor, você acabou de acordar…
— Sei exatamente o que estou dizendo, mamãe.
Minha cabeça ainda latejava levemente, mas minha mente estava funcionando e havia algo que não saía da minha memória.
— Reconheço aquela voz. E tenho a sensação de que conheço aquela mulher.
Thomas levantou uma sobrancelha.
— Você disse que não viu o rosto.
— E não vi. Eu disse que reconheço a voz e tenho essa sensação de conhecê-la.
— Então, como pode ter certeza?
Olhei para ele com calma.
— Temporariamente. — Afirmei com convicção.
Ele se aproximou da cama e começou a me examinar.
Colocou o estetoscópio no meu peito, escutando atentamente minha respiração. E fez um barulho.
— Hm.
— O que significa esse “hm”?
Ele retirou o aparelho.
— Significa que sua recuperação está indo melhor do que eu esperava.
Minha mãe imediatamente se aproximou.
— E isso é bom?
— Sim, excelente — respondeu com animação. Olhei diretamente para ele.
— Então me diga a verdade.
— Qual verdade?
— Quando vou sair daqui?
Antunes olhou para Thomas, depois para minha mãe, e então voltou a me encarar.
— Se os exames de hoje confirmarem a melhora da sua respiração…
Meu coração acelerou.
— Pare de suspense e desembucha logo.
Ele olhou do tablet para mim com apreensão.
— Você poderá receber alta muito em breve.
Fiquei imóvel por alguns segundos. Alta, finalmente. Logo poderia sair daqui e, quando isso acontecesse… eu iria atrás dessa minha suposta noiva, Elisa.
E se aquela mulher fosse mesmo a dona da voz e do perfume do meu sonho… então ela era a única pessoa capaz de me dar todas as respostas que eu precisava.

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