VICTOR BALTIMOR.
— Vamos apresentar a equipe — disse Eleonor, chamando com um gesto em direção à porta da área dos funcionários.
Algumas pessoas entraram na sala. Eu as observei com atenção.
— Este é o doutor Henrique — disse Eleonor, apontando para o homem mais velho. — Ele será responsável pelo seu acompanhamento médico.
O homem deu um passo à frente.
— Senhor Baltimor, estarei monitorando sua recuperação geral, ajustando medicações e garantindo que tudo esteja evoluindo corretamente.
Assenti de leve.
— Certo.
— Estes são os enfermeiros — continuou Eleonor, indicando dois homens. — Eles irão auxiliá-lo nas atividades diárias, medicação e cuidados gerais.
— Estaremos à disposição para o que precisar, senhor — disse um deles.
— Perfeito.
— Este é o fisioterapeuta — apontou para outro homem. — Ele irá trabalhar sua recuperação motora.
— Vamos focar em fortalecer sua musculatura e recuperar sua mobilidade o mais rápido possível — explicou-o.
— Quero resultados — respondi diretamente. — E rápido. Não pretendo ficar nessa cadeira de rodas por muito tempo.
— Faremos o possível para acelerar sua recuperação com segurança, mas devo alertar que seu corpo tem seu tempo de recuperação e não tem como passar por cima desse limite — respondeu ele, profissional.
Sei disso, dos limites do meu corpo, e sei que não será problema. Assenti para o fisioterapeuta. Meu olhar então se voltou para o último.
— E você?
— Sou o psicólogo, Paulo — respondeu o homem, com calma. Franzi o cenho imediatamente.
— Psicólogo?
Olhei para minha mãe. O que esse especialista está fazendo aqui?
— O que ele está fazendo aqui?
Ela respirou fundo antes de responder. Talvez prevendo minha reação.
— Posso — cortei, olhando diretamente para ela. — E acabei de fazer isso, eles trabalham para mim, então faço o que quiser.
Ela tentou argumentar novamente.
— Você precisa desse acompanhamento…
— Que tal — interrompi, com a voz mais fria — em vez de ficar tentando me fazer aceitar aquele médico, a senhora me responde o que eu perguntei?
O silêncio caiu novamente. Dessa vez, mais incômodo do que antes.
— Digam logo — continuei, olhando para todos — o que quero saber sobre aquela mulher aqui na minha casa.
Minha mãe suspirou lentamente. Como se estivesse se preparando.
— Você não se lembra… — começou, com cuidado — mas Elisa e Melissa moram aqui.
Por um segundo, eu não reagi. As palavras demoraram a fazer sentido.
Elisa… e Melissa, moram aqui? Na minha casa?
Meu olhar ficou fixo nela. E algo dentro de mim… travou completamente.

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