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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 202

ELISA RIVER.

Arregalei os olhos em choque com o que ouvia. Meu coração deu um salto violento no peito. Átila estava falando em suicídio. A palavra ficou suspensa no ar, pesada, gelada, como se tivesse sugado todo o ar da sala de vídeo.

— O quê? — sussurrei, com a voz saindo rouca. — Átila… por que você pensa assim? O que aconteceu para você achar que Pablo quer tirar a própria vida?

Ele baixou a cabeça por um segundo, os ombros curvados. Quando levantou o olhar, vi o desespero puro ali, cru, sem filtro.

— Conheço meu filho, Elisa. Conheço como ninguém. Ele perdeu aquela alegria de viver. Está abatido, desanimado, sem nenhuma esperança. E com aquele olhar… aquele olhar vazio de quem está desesperado. Eu já vi isso antes. E não terminou bem.

Cada palavra dele caiu como um soco no meu estômago. Meu corpo inteiro gelou. Senti um arrepio subir pela nuca e os braços se arrepiarem. Mel continuava sugando a mamadeira no meu colo, alheia a tudo, mas eu mal conseguia respirar.

Pablo?

Aquele Pablo forte, sempre cheio de vida? Está certo que ele sempre era concentrado, discreto e imponente, assim como Victor, mas se via seu vigor e energia de viver. Mas, agora só se notava o olhar de quem queria sumir, que estava apenas existindo.

Átila continuou, com a voz baixa e trêmula:

— Além do mais… eu o peguei com um estilete na mão, olhando fixamente para os pulsos, no quarto dele. Ele estava prestes a cortar.

O ar fugiu dos meus pulmões.

Meu peito apertou tanto que doeu. Imagens horríveis passaram rápidas pela minha cabeça — Pablo sozinho, a lâmina brilhando, o sangue.

Apertei minha filha contra mim sem perceber, como se pudesse protegê-la até daquela conversa.

— Eu me desesperei e gritei, assustando-o — prosseguiu Átila, com os olhos marejados. — Pablo negou na hora, disse que não era nada, que eu estava exagerando. Mas eu vi. Vi o que ele ia fazer. Pedi, implorei para que ele nunca mais pensasse nessas coisas. Que eu estava ali, que nós íamos superar juntos.

Fiquei em silêncio por um segundo, com o coração martelando nos ouvidos. Lágrimas quentes pinicaram meus olhos.

Eu não conseguia imaginar. Pablo, que sempre foi tão cheio de vida, agora… isso? O que um trauma faz com uma pessoa, meu Deus.

— Meu Deus, Átila… — murmurei, com a voz falhando. — Eu… eu não sabia que estava tão grave. Desculpa, eu não fazia ideia.

Ele apenas assentiu, o rosto marcado por uma dor que eu sentia no peito como se fosse minha. O silêncio caiu pesado entre nós, quebrado apenas pelo barulhinho suave de Mel mamando. Eu olhava para ele, sem saber o que dizer, apenas sentindo o peso daquele desabafo afundar em mim.

— Vou falar com Victor hoje mesmo. Não podemos esperar. Se Pablo realmente está nesse nível de sofrimento, cada dia importa.

Átila me olhou com gratidão.

— Obrigado, Elisa. Eu já não sabia mais a quem recorrer.

— Você fez certo em me contar.

Falei com firmeza, porque ele precisava ouvir aquilo.

— E você não está sozinho. Vamos ajudar Pablo. De um jeito ou de outro, nós vamos.

Ele abaixou a cabeça, emocionado, e apenas concordou. Era triste ver um senhorzinho daquela idade, em meio a tanto sofrimento. Eu via Atila como um avô, um pai e um amigo. Foi uma amizade à primeira vista. Nos afeiçoamos em pouco tempo de convivência. Não vou deixá-lo sozinho nessa situação desesperadora.

Mas, no fundo, enquanto eu dizia aquelas palavras, uma inquietação crescia dentro de mim. Porque eu sabia que ajudar alguém que não quer ser ajudado podia ser uma batalha quase impossível de ser vencida, a menos que o alcancemos a tempo.

E, pela primeira vez desde o acidente, senti um medo real de que talvez estivéssemos chegando tarde demais para salvá-lo. Mas eu tinha fé e quem a tem, não perde a esperança.

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