ELISA RIVER.
Arregalei os olhos em choque com o que ouvia. Meu coração deu um salto violento no peito. Átila estava falando em suicídio. A palavra ficou suspensa no ar, pesada, gelada, como se tivesse sugado todo o ar da sala de vídeo.
— O quê? — sussurrei, com a voz saindo rouca. — Átila… por que você pensa assim? O que aconteceu para você achar que Pablo quer tirar a própria vida?
Ele baixou a cabeça por um segundo, os ombros curvados. Quando levantou o olhar, vi o desespero puro ali, cru, sem filtro.
— Conheço meu filho, Elisa. Conheço como ninguém. Ele perdeu aquela alegria de viver. Está abatido, desanimado, sem nenhuma esperança. E com aquele olhar… aquele olhar vazio de quem está desesperado. Eu já vi isso antes. E não terminou bem.
Cada palavra dele caiu como um soco no meu estômago. Meu corpo inteiro gelou. Senti um arrepio subir pela nuca e os braços se arrepiarem. Mel continuava sugando a mamadeira no meu colo, alheia a tudo, mas eu mal conseguia respirar.
Pablo?
Aquele Pablo forte, sempre cheio de vida? Está certo que ele sempre era concentrado, discreto e imponente, assim como Victor, mas se via seu vigor e energia de viver. Mas, agora só se notava o olhar de quem queria sumir, que estava apenas existindo.
Átila continuou, com a voz baixa e trêmula:
— Além do mais… eu o peguei com um estilete na mão, olhando fixamente para os pulsos, no quarto dele. Ele estava prestes a cortar.
O ar fugiu dos meus pulmões.
Meu peito apertou tanto que doeu. Imagens horríveis passaram rápidas pela minha cabeça — Pablo sozinho, a lâmina brilhando, o sangue.
Apertei minha filha contra mim sem perceber, como se pudesse protegê-la até daquela conversa.
— Eu me desesperei e gritei, assustando-o — prosseguiu Átila, com os olhos marejados. — Pablo negou na hora, disse que não era nada, que eu estava exagerando. Mas eu vi. Vi o que ele ia fazer. Pedi, implorei para que ele nunca mais pensasse nessas coisas. Que eu estava ali, que nós íamos superar juntos.
Fiquei em silêncio por um segundo, com o coração martelando nos ouvidos. Lágrimas quentes pinicaram meus olhos.
Eu não conseguia imaginar. Pablo, que sempre foi tão cheio de vida, agora… isso? O que um trauma faz com uma pessoa, meu Deus.
— Meu Deus, Átila… — murmurei, com a voz falhando. — Eu… eu não sabia que estava tão grave. Desculpa, eu não fazia ideia.
Ele apenas assentiu, o rosto marcado por uma dor que eu sentia no peito como se fosse minha. O silêncio caiu pesado entre nós, quebrado apenas pelo barulhinho suave de Mel mamando. Eu olhava para ele, sem saber o que dizer, apenas sentindo o peso daquele desabafo afundar em mim.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.