VICTOR BALTIMOR.
Fiquei em silêncio por um segundo, completamente surpreso com aquela informação.
Charlotte fugiu?
Meu cérebro pareceu demorar para processar aquilo, mas, no instante seguinte, uma irritação violenta tomou conta de mim. Meu maxilar travou, meus dedos apertaram o celular com tanta força que quase senti o aparelho estalar.
Charlotte foragida, livre para aprontar suas maldades. Longe de qualquer cela que a impeça. Aquilo era um problema gigantesco.
Não por mim, para Elisa, para Melissa e principalmente para meus gêmeos que estão a caminho.
Porque eu sabia exatamente do que Charlotte era capaz. Ela não era apenas obsessiva. Ela era doente. Uma psicopata completamente obcecada, capaz de destruir qualquer pessoa que estivesse entre ela e aquilo que ela acreditava ser dela.
E, na mente distorcida dela, eu era dela. E Elisa sempre foi o maior alvo daquele delírio insano. Minha respiração ficou pesada.
— O que houve? — perguntei, com a voz fria e perigosa. — Como Charlotte conseguiu fugir? Quem a ajudou?
Damon respirou fundo do outro lado da linha antes de responder.
— Senhor, pelo que levantamos até agora, Charlotte passou mal na prisão. Houve uma emergência médica e ela foi levada para um hospital fora da unidade prisional. Foi lá que conseguiu fugir.
Soltei uma risada curta, sem humor algum. Uma risada de pura indignação.
— Você só pode estar brincando comigo.
Minha voz saiu mais alta, carregada de fúria.
— Como eles puderam deixá-la sair? Como ninguém pensou em atender aquela mulher na própria prisão? Aquela porcaria tem enfermaria! Para que serve aquela droga de enfermaria, então? Isso tudo foi um plano de fuga. Ninguém imaginou isso?
Rosnei praticamente as palavras. A raiva subia como fogo. Meu peito doeu e minhas costelas também. Foi um erro elevar minha voz.
Charlotte não era uma detenta comum. Ela era perigosa. Instável. Manipuladora. E agora estava solta por incompetência. Damon manteve o tom profissional.
— Ainda não tivemos acesso a essa informação completa. Não sabemos por que optaram pela transferência hospitalar.
Bufei, passando a mão pelo rosto. Inacreditável. Absolutamente inacreditável o nível de amadorismo daquele presidio.
— Quero cada detalhe dessa fuga — falei com firmeza. — Cada detalhe, Damon. Quem autorizou, quem acompanhou, quem falhou, quem encobriu. Tudo. Precisamos encontrar aquela lunática e rápido.
— Sim, senhor.
Houve uma pequena pausa antes de ele continuar.
— Acredito que Charlotte fugiu porque soube da queda do seu avião.
Fiquei em silêncio por um instante. Aquilo fazia sentido. E, justamente por fazer sentido, me irritava ainda mais. Fechei os olhos por um segundo.
Claro.
Se Charlotte acreditou que eu estava morto, ela teria enlouquecido. E quando descobriu que sobrevivi… Eu já sabia o que viria.
— Então ela virá atrás de mim — falei, frio. — E deve estar desesperada para me ver.
Abri os olhos devagar, encarando o vazio à minha frente.
— Isso a torna ainda mais perigosa.
Agora tudo fazia sentido. A tensão da minha mãe. O comportamento estranho de Thomas. Elisa evitando o jardim. Os olhares nervosos. Eles estavam com medo.
Medo de Charlotte aparecer, dela invadir a casa e chegar até Elisa.
Senti meu maxilar endurecer. Aquilo não aconteceria. Não enquanto eu respirasse.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.