Entrar Via

A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 208

VICTOR BALTIMOR.

A honestidade daquela resposta me atingiu com força. Mas eu preferia aquilo. Preferia a verdade dura do que uma mentira confortável. Inclinei-me um pouco para frente, ignorando a dor das costelas.

— Escuta bem o que vou te dizer agora.

Ele me olhava em silêncio.

— Você não vai enfrentar isso sozinho.

Minha voz saiu firme, sem espaço para discussão.

— Eu não vou permitir que você se destrua.

Os olhos dele se encheram de lágrimas outra vez. Continuei.

— Se for preciso, eu mesmo vou te arrastar para um consultório. Vou infernizar sua vida. Vou te vigiar. Irei mandar Átila te vigiar. E vou fazer o que for necessário. Pense no seu pai, ele deve estar desesperado, com medo de ter que enterrar o único filho.

Isso pareceu pesar nele, e lágrimas escorreram pelo rosto dele.

— Mas eu não vou te perder. Não vou permitir que faça esse absurdo.

O silêncio caiu entre nós, mais uma vez. Pablo respirou fundo, tentando se controlar, mas a voz ainda saiu quebrada.

— Eu estou cansado, Victor… tão cansado.

Aquilo mexeu comigo. Porque eu entendia exatamente o que ele estava sentindo: a culpa, os pesadelos, o medo, a sensação de estar preso naquele avião para sempre. Eu sabia como era, pois me sentia assim também. E talvez fosse justamente por isso que eu não permitiria que ele afundasse e desistisse do milagre que recebeu de estar vivo, de ter sobrevivido àquele acidente.

— Eu sei. — Minha voz saiu baixa dessa vez. — Eu também estou cansado.

Ele me olhou surpreso. Passei a mão pelo rosto.

— Também acordo sentindo cheiro de fumaça, suando e às vezes gritando. Também fecho os olhos e vejo tudo de novo. Também me pergunto por que sobrevivi e eles não. Por que não fiz mais para salvá-los?

Minha garganta apertou.

— Também me sinto culpado.

Pablo ficou em silêncio absoluto.

Fiquei ali, sem pressa, sem fazer discursos bonitos. Só fiquei ali ao seu lado, respeitando seu tempo e silêncio. Porque, às vezes, salvar alguém começa assim: permanecendo ao seu lado, mostrando que está ali por ele.

Após alguns minutos, ele respirou fundo e limpou o rosto.

— Seu jeito de ajudar continua assustador. — Mencionou, olhando-me, e sorriu sem jeito.

Soltei uma risada curta.

— E o seu continua irritante.

Ele quase sorriu, quase. Mas já era alguma coisa. E, naquele momento, eu fiz uma promessa silenciosa. Assim como Elisa me salvou quando eu estava perdido…

Agora seria minha vez de salvar Pablo. Porque eu podia enfrentar inimigos, uma queda de avião, uma psicopata atrás de mim, política, escândalos e até uma guerra, se surgisse. Mas eu me recusava a perder Pablo para a própria dor.

Ficamos em silêncio por alguns minutos. Ele voltou à sua postura séria, tentando aparentar que não havia chorado na minha frente minutos antes. Eu não o lembraria desse episódio.

— Meu amigo, agradeço por ter me escutado, mas vim principalmente para dizer o que descobri sobre o acidente.

Olhei para ele, sério e apreensivo com seu tom.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.