VICTOR BALTIMOR.
Fiquei olhando para Pablo por alguns segundos, absorvendo o peso daquelas palavras.
Um atentado.
Aquilo não era apenas uma suspeita agora. Não vindo dele. Pablo não falava sem ter certeza. Ele não levantava hipóteses vazias, principalmente quando se tratava de algo tão grave.
Meu corpo ficou tenso imediatamente. Inclinei-me um pouco para frente no sofá e o encarei com total atenção.
— Me explica isso direito. — Minha voz saiu mais fria. — O que exatamente você descobriu?
Pablo respirou fundo e cruzou seus braços.
— Descobri que um técnico foi trocado no último minuto. Uma das câmeras do hangar ficou sem gravação justamente naquele setor. Uma peça foi substituída fora do protocolo. E o horário da manutenção não b**e com os registros normais.
Fiquei em silêncio por alguns segundos. Aquilo era sério, muito sério.
Franzi a testa.
— Como você descobriu tudo isso?
Pablo deu um pequeno sorriso, daquele tipo irritantemente convencido.
— Conversei com uma faxineira do hangar.
Pisquei devagar.
— Uma faxineira?
Ele assentiu com a maior naturalidade do mundo.
— Sim.
Cruzei meus braços.
— Mas ela te contou tudo isso assim, do nada?
Pablo abriu um sorriso cheio de descaramento.
— Claro que não. Tive que utilizar de meu charme e minha persuasão.
Revirei meus olhos antes mesmo de ele terminar. Pablo continuou, completamente sem vergonha.
— Ela soube do acidente, me viu todo quebrado, com o braço imobilizado, e ficou com pena.
Fez uma pausa dramática e completou:
— A verdade é que ela queria me levar para casa e cuidar de mim.
Soltei uma risada curta.
— Sei. — Balancei a cabeça. — Você não tem vergonha de seduzir uma mulher para conseguir informação?
Pablo apontou para mim como se eu tivesse cometido uma grande injustiça.
— Quem disse que seduzi alguém? Foi ela que praticamente se jogou em cima de mim. Eu apenas aproveitei a oportunidade para conseguir informação.
Soltei um suspiro.
— Está bem. Não quero saber das suas conquistas amorosas. — Apontei para ele. — Me conte sobre o que descobriu.
Ele sorriu satisfeito e voltou ao assunto.
— Então… inicialmente, ela só me contou sobre a troca do técnico. Disse que achou estranho, porque o homem que sempre fazia aquela manutenção não apareceu e colocaram outro no lugar, em cima da hora.
Meu olhar ficou atento.
— Perguntei se ela conhecia esse novo técnico. Quis saber se ele já trabalhava ali antes. —
Pablo deu uma pausa. — Ela disse que nunca o havia visto.
Aquilo já era ruim. Mas piorou.
— Então falei que iria verificar as câmeras para descobrir quem era esse sujeito…
Ele fez uma pausa, me olhou e continuou narrando.
— Com tudo isso, tenho certeza de que alguém sabotou sua aeronave. — Seus olhos se prenderam nos meus. — Isso foi um atentado.
O silêncio no quarto ficou tenso, frio. Minha mente já estava funcionando rápido demais.
Quem? Por quê?
Quem teria coragem de mexer no meu avião? Quem teria interesse suficiente para matar dezenas de pessoas apenas para me atingir?
Passei a mão no maxilar. Eu tinha inimigos demais, na política, no meio empresarial. Tem Charlotte e Afonso, também. A lista era longa demais.
Então Pablo soltou a última bomba.
— Consegui um retrato falado desse homem.
Levantei os olhos imediatamente.
— Como conseguiu se a câmera não estava funcionando?
Ele sorriu daquele jeito irritante de novo.
— Graças ao meu charme… e a uma promessa de jantar.
Olhei para ele em absoluto silêncio. Depois balancei a cabeça.
— Você é inacreditável.
Ele sorriu com orgulho.
— Prefiro eficiente.
Soltei uma risada curta, apesar da gravidade da situação. Depois meu semblante endureceu novamente. Olhei diretamente para ele e falei com frieza.
— Muito bem, bom trabalho. — Minha voz saiu baixa e perigosa. — Vamos atrás desse homem.
Me inclinei um pouco para frente.
— E vamos descobrir quem foi o maldito que mandou sabotar meu avião.

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