ELISA RIVER.
Depois da conversa que tive com Átila, eu fiquei com o coração apertado.
As palavras dele não saíam da minha cabeça. O medo em sua voz, o desespero em seu olhar quando falou sobre Pablo… aquilo me abalou profundamente.
Imaginar Pablo naquele estado, lutando sozinho contra a própria mente, me deixava angustiada. E pior ainda era imaginar Átila assistindo tudo sem saber como salvar o próprio filho.
Prometi que ajudaria. E eu iria.
Após algum tempo, Átila decidiu ir até o quarto de Victor para conversar com ele e ver como estava. Eu não fui junto. Preferi dar espaço para eles. Sabia que, provavelmente, Atila também precisaria conversar com Victor sem outras pessoas por perto. E era um momento deles. Atila cuidou de Victor como um pai, e Pablo cresceu com ele, eram família.
Então fiquei com Melissa na sala e depois fui para o quarto.
Minha pequena estava cheia de energia, como sempre. Dei mamadeira, troquei sua roupinha e fiquei um tempo com ela no quarto, tentando também organizar meus próprios pensamentos.
Mas minha cabeça continuava voltando para a mesma pergunta:
Como alguém chega ao ponto de não querer mais viver? É muito desespero para chegar a esse ponto.
Suspirei. O trauma é realmente cruel demais.
Victor também estava vivendo aquilo, mas reagia de outra forma. Ele se fechava, tentava manter o controle e carregava tudo em silêncio. Pablo parecia estar afundando sem conseguir esconder.
Cada um lidava com a dor à sua maneira.
Quando Átila e Pablo finalmente foram embora, esperei mais alguns minutos antes de ir até o quarto de Victor. Melissa estava no meu colo, inquieta, brincando com a alça do meu vestido, quando entrei.
Victor estava sentado no sofá, mais confortável do que nos últimos dias. Assim que nos viu entrar, seu rosto mudou completamente.
Ele sorriu. E aquele sorriso sempre mexia comigo. Era impossível não notar como ele se transformava quando olhava para nossa filha.
— Minhas garotas, chegaram. — falou, sorrindo.
Melissa ouviu a voz do pai no mesmo instante e pareceu reconhecer imediatamente. Seu corpinho se agitou, ela soltou um barulhinho animado e esticou os bracinhos na direção dele.
Sorri com aquilo.
— Olha só… alguém sentiu saudade do papai. — disse ele e abriu os braços. — Venha aqui, minha pequena.
Entreguei Melissa a ele, e foi impossível não observar aquela cena com carinho.
Victor a segurava com um cuidado quase reverente, como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo. E, para ele, eu sabia que era.
Melissa agarrou imediatamente o paletó dele com seus dedinhos pequenos e ficou olhando para o rosto do pai com aquela curiosidade enorme que só ela tinha. Victor sorriu ainda mais.
— Você está cada dia mais esperta, sabia? — perguntou com alegria.
Ela soltou um som engraçado, como se estivesse respondendo, e abriu um sorriso banguela que fez meu coração derreter. Victor riu baixo.
— Está vendo? Ela concordou comigo. — Mencionou e me olhou com convencimento, revirei os olhos. E fiquei observando ambos em silêncio por alguns segundos.
Melissa parecia realmente entender quando Victor falava com ela. Prestava atenção, reagia, observava cada movimento dele. Às vezes eu tinha a impressão de que nossa filha seria uma dessas crianças extremamente precoces.
Muito inteligente, muito observadora e muito esperta. Talvez até mais do que o pai, o que seria um grande problema para mim. Pois ela vai manipular todos facilmente para conseguir o que quiser. E talvez queira seguir os passos do pai na carreira política. Eu estaria lascada com dois políticos em casa.
Sorri sozinha com esse pensamento.
Victor continuava falando com ela baixinho, como se ambos estivessem tendo uma conversa muito importante.
— E então? Vai continuar fazendo a mamãe perder o juízo?
Melissa bateu a mãozinha no peito dele e deu outra risadinha.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.