VICTOR BALTIMOR.
Depois que Elisa disse ser melhor dormirmos… nós dormimos. Nada aconteceu.
Exatamente como ela deixou bem claro que não aconteceria. E, sim, aquilo foi frustrante para caralho.
Porque eu queria e muito transar, mas fazer o que, é a vida. Nem sempre podemos ter o que queremos. Tudo que pude fazer foi engolir minha frustração e aceitar.
Porque Elisa… minha amada noiva, fazia a linha dura como ninguém. Não cedia, não importava o quanto eu provocasse, insistisse ou testasse os limites dela.
E olha que testei. Mais de uma vez. Antes de aceitar minha derrota, eu sabia que não seria o que eu queria. Mas não adiantava. Quando ela decidia algo, não havia negociação.
E, naquele caso… ela estava certa. Eu ainda não podia fazer sexo. Mesmo assim, isso não tornava a situação menos irritante e frustrante. Como eu odiava, está impossibilitado.
Suspirei só de lembrar.
Os dias passaram. E, quando percebi… dois meses já tinham se passado. Dois meses desde que voltei para casa, que quase morri e que tudo mudou. Minha recuperação avançou muito nesse tempo. Posso dizer que já estou quase cem porcento.
Eu já andava sem dificuldade. A dor nas costelas ainda existia, mas era muito mais suportável. Só não podia pegar muito peso, ou fazer atividade física muito pesada. A tontura praticamente desapareceu — graças à medicação e ao fato de eu ter finalmente começado a seguir, minimamente, as recomendações médicas. Pois é, aprendi que os médicos sabem mais que eu e que queriam meu bem.
E seguir minimamente as recomendações me fez melhorar mais rapidamente. Me possibilitando também voltar a trabalhar.
Ainda de casa, por insistência de Elisa… e, dessa vez, eu cedi sem discutir muito. Não porque queria, mas porque sabia que ela estava certa. E eu não queria sair de perto dela e de Melissa. E também, trabalhando de casa, podia acompanhar a gestação de Elisa de perto.
A verdade é que a política não era mais a minha prioridade agora. Agora eu, Victor Baltimor, tinha outras prioridades.
Uma delas estava dormindo em um carrinho aqui no meu escritório. E a outra carregava meus filhos. Agora eu pedia para Elisa deixar Melissa comigo quando ela estivesse dormindo, assim Elisa poderia fazer suas coisas e ter um tempo para ela, sem se preocupar.
Melissa era tranquila e não dava trabalho, a não ser quando estava com fome ou com a fralda suja. Então, ela fazia o maior berreiro. Fora isso, ficava quietinha me vendo trabalhar quando acordava.
Até Pablo se acostumou com a sua presença. Ele vem trabalhar aqui no meu escritório todos os dias.
Mas, apesar de tudo estar caminhando bem… havia uma coisa que não avançava. O homem que sabotou o avião. Não o encontramos.
E isso me irritava profundamente. Porque não foi um acidente. Nunca foi. E agora… tínhamos certeza disso. A confirmação veio através da caixa-preta.
Os dados recuperados, somados às informações que Pablo conseguiu, permitiram que a equipe de investigação aprofundasse na sua investigação.
E o resultado foi claro. Sabotagem, algo que nós já tínhamos certeza, mas para acionar as autoridades, precisávamos de provas. Lembro de estarmos no escritório da minha casa, eu e Pablo.
Trabalhando. Ou tentando.
Pablo estava comigo, sentado à minha frente, analisando alguns documentos com aquela concentração absurda de sempre.
O ambiente estava silencioso, mas carregado de expectativa. Nós dois sabíamos que aquela resposta sobre as investigações estava próxima.
Então, meu celular tocou. Olhei para o visor e era Damon.
Endireitei-me imediatamente na cadeira e olhei para Pablo.
— É ele — murmurei.
Pablo levantou os olhos na mesma hora, atento. Atendi, colocando no viva-voz.
— Damon, me dê boas noticias.
Do outro lado da linha, a voz de Damon veio firme, direta. Como ele sabia que eu gostava.
— Senhor Baltimor… confirmamos.
Meu corpo inteiro ficou tenso.
— Confirmaram o quê?
Houve uma breve pausa.
— Foi mesmo sabotagem.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Senti algo frio percorrer meu corpo. Não era surpresa, eu já sabia. Mas ouvir… tornava real de forma concreta.
Olhei para Pablo. Ele já estava me encarando. Esperando por mais informações. Ele, assim como eu, queria que todos os envolvidos na queda do meu avião pagassem muito caro.
— A caixa-preta confirmou alterações nos sistemas — Damon continuou. — Interferência direta. Não foi falha mecânica. Foi ação humana.
— Não é suficiente. — Bufei irritado.
Não era culpa dele. Respirei fundo, me controlando.
— Continuei tentando encontrar aquele homem, assim, chegaremos ao mandante.
— Sim, senhor, farei isso. Mais alguma coisa, senhor?
— Não. — Respondi e desliguei.
O silêncio no escritório ficou ainda mais tenso. Passei a mão pelo rosto devagar. Tentando organizar os pensamentos. Mas havia apenas uma conclusão.
Alguém planejou aquilo. Aquele homem executou. Tinha alguém querendo me matar. E conseguiu matar outras pessoas no processo. Olhei para Pablo novamente.
— Agora não é mais suspeita.
Ele cruzou seus braços, apoiando-se na cadeira.
— Nunca foi. Descobri antes desse Damon. Tudo que ele disse, nós já sabíamos. Não sei para que utilizar o trabalho dele, dois meses e ele vem dizer o que te disse dois meses atrás?
— Deixe de implicância, você sabe que precisávamos de provas e você não me trouxe.
— Tanto faz, mas você escutou primeiro de mim.
Assenti devagar e revirei os olhos com sua implicância com Damon. Mas não vou me meter nessa história.
Minha mente já começava a trabalhar. Ligando pontos. Analisando possibilidades.
Calculando. Levantei-me da cadeira, caminhando lentamente pelo escritório.
— Alguém quis me matar.
Parei. Olhando pela janela.
— E eu vou descobrir quem ele é.

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