VICTOR BALTIMOR.
Eu já imaginava que ela ia se assustar ao me ver ali. Eu havia entrado sorrateiramente. Sabia, no exato momento em que me deitei naquela cama e decidi não sair dali, que ela não iria gostar. Ainda assim, não me movi. Fiquei esperando.
Talvez porque, no fundo, eu quisesse exatamente isso. A reação dela, ver a Elisa desafiadora que conheci e que me encantei, em ação. Ela ultimamente só vivia para cuidar de mim e da nossa filha. Não queria que ela deixasse de ser quem era, por nós. Eu não queria mudar nada nela.
Continuei olhando para ela e a reação veio forte. Eu vi quando seu corpo travou, a respiração mudou, a mão apertando a toalha com força. Por um segundo, pensei em me levantar e explicar… mas não fiz nada. Preocupei-me por ela estar grávida. Mas só iria piorar a situação.
Fiquei ali aguardando, até porque se tentasse me levantar rápido, minhas costelas doeriam e Elisa se preocuparia.
Continuei a observá-la. E, quando ela percebeu ser eu, veio exatamente o que eu esperava. A bronca direta, intensa e sem filtro.
Soltei um sorriso quase automático. Aquilo era tão… Elisa, ela ficava linda brava e eu adorava provocá-la. Eu me encantei justamente por ela ser uma pessoa que exalava energia, que era imprevisível. E não tinha medo de me enfrentar.
Enquanto ela reclamava, eu só conseguia pensar no quanto tinha sentido falta disso. Daquela energia. Daquela presença preenchendo o ambiente. Era estranho, depois de tudo o que passei… depois do acidente… depois do hospital… eu devia querer silêncio.
Mas não, eu queria aquilo. Queria-a falando, reclamando, me enfrentando… porque isso significava que ela estava ali. Comigo, me dando total atenção. Como pedia a Deus, enquanto estava naquele lugar gelado e deserto, lutando pela minha vida e a de Pablo, que eu pudesse ter a chance de voltar para Elisa e poder escutar sua voz e a ouvir brigando comigo, por algo que eu disse e ela não gostou.
Quando ela perguntou o que eu estava fazendo ali, eu já tinha a resposta pronta.
Não, era algo que eu tivesse acabado de decidir. Eu ficaria ali com elas. Eu já tinha decidido no momento em que entrei naquele quarto.
Eu não voltaria para meu quarto frio e quieto, sem a presença delas. Respondi que vim para ficar. Simples assim.
A reação dela foi exatamente como imaginei. Incrédula, desconfiada e irritada. Era impressionante como eu já conhecia as reações dela.
E, ainda assim… mesmo aparentando estar brava, ela não me mandou sair.
Ela questionou. Impôs limites. Tentou manter controle. Mas não me expulsou.
E isso bastava e dizia muito. Elisa me queria ali, só não solicitaria que eu ficasse, pois era teimosa demais para admitir. Mas para mim estava bom assim.
Quando mencionei que ela era minha mulher… vi a mudança no olhar dela. Pequena, mas clara. Ela tentou rebater com lógica.
Falou de casamento, formalidade e regras. Mas aquilo não mudava o essencial. Ela já era minha. Assim como Melissa, era nossa. E eu já não aceitava mais viver distante disso.
Quando ela reclamou do espaço na cama, quase ri. Claro que eu estava ocupando tudo.
Fiz de propósito. Queria ver até onde ela ia insistir. Queria provocar, queria quebrar aquela tensão que ainda existia entre nós por causa dos últimos acontecimentos da nossa vida. Queria que ela esquecesse um pouco dos problemas e ameaças que enfrentávamos.
E funcionou.
O jeito que ela apontou para o sofá… a indignação dela… aquilo me divertiu mais do que deveria.
Mas não havia a menor chance de eu ir para aquele sofá. Não após sentir, por poucos minutos, o que era estar ali de novo, na cama e no espaço dela. No lugar onde eu realmente queria estar, desde quando recuperei a memória.
Ela tentou manter controle… mas conheço o corpo dela, conheço as suas reações. Sei quando ela está excitada. E aquilo só piorou a situação para nós dois. Mas não iria recuar agora.
Quando aproximei minha boca do ouvido dela e falei… não foi só provocação. Era verdade, eu não conseguia e não queria ficar longe dela, não fazia mais sentido. Eu precisava dela desesperadamente.
E, quando a beijei… Perdi o controle completamente.
Não foi um beijo qualquer. Foi tudo acumulado: medo, saudade, desejo, necessidade.
Ela correspondeu ao meu beijo quase que imediatamente e com a mesma intensidade. E aquilo quase foi o suficiente para me fazer esquecer de tudo.
Mas meu corpo não me deixou esquecer. A dor na costela veio rápida e direta.
Me obrigando a parar.
Afastei-me o mínimo necessário, ainda sentindo o gosto dela, ainda lutando contra a vontade de continuar. Respirei fundo. Tentando recuperar o controle, o que era inútil.
Ela me olhava. E aquilo só piorava. Passei a mão pelo rosto, irritado comigo mesmo.
Não era o momento. Mas também não era algo que eu conseguia evitar. Olhei para ela novamente, mais sério agora e mais consciente. Mas não menos envolvido e excitado, meu pau chegava a latejar, ansioso para uma boa foda.
— Acho melhor irmos dormir. — Disse ela, ofegante.

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