ELISA RIVER.
Ceci continuou me observando, revirou os olhos e suspirou.
— Sério, Eli?
— O que, Ceci? Eu não sei de quem você está falando.
— Amiga, estou falando do maior inimigo do meu tio. O senador Afonso — respondeu, cruzando seus braços.
Arregalei os olhos, pois havia me esquecido daquele senador infeliz que espalhou mentiras sobre mim e Victor.
— É verdade, Ceci… eu me esqueci daquele senadorzinho de merda. Mas será que ele teria essa coragem?
— Eu não duvido nada. Ele odeia meu tio e j**a sujo. Não tem um pingo de escrúpulo.
— Mas mandar derrubar um avião… será?
Ceci balançou a cabeça negativamente.
— Eli, você é muito inocente, mesmo. No meio político, as pessoas são capazes de qualquer barbaridade para manter o poder e alcançar ainda mais. São poucos os que são honestos nesse meio, infelizmente. E meu tio está nesse grupo. Tio Victor faz tudo na lei, e é isso que irrita os corruptos. Ele vive pisando nos calos desse povo. Então, ele tem vários inimigos… mas Afonso encabeça a lista.
— É… você tem razão. Afonso pode ser o culpado. Mas não deve ter deixado pontas soltas para não ser pego.
— Pode até ser, mas, conhecendo o meu tio Victor, ele não vai descansar até descobrir os culpados. As pessoas que morreram eram funcionários que estavam há muito tempo com ele. Eram praticamente família. Meu tio trata todos com muito respeito e carinho. Então, a perda deles deve estar sendo muito dolorosa para ele.
Quando vim trabalhar aqui, se alguém me dissesse isso sobre Victor, eu não acreditaria. Nunca iria imaginar que ele tivesse esse lado doce, honrado e gentil.
Mas hoje conheço esse lado dele. E isso foi o que mais me surpreendeu nele. Perceber que aquele homem arrogante, irritante, rude, insuportável e mandão… era, na verdade, alguém tão amoroso e carinhoso. Victor demonstra ser malvado… mas é extremamente bondoso.
Mas, como ele mesmo disse:
“Preciso ter essa postura no meio político e empresarial. Caso contrário, não sou respeitado nem levado a sério.”
E ele estava certo. Porque sei muito bem como é ser pisada e massacrada por ser fraca. Mas hoje eu mudei. Precisei perder tudo… para me tornar a mulher que sou agora. Ouvi Ceci me chamando.
— Eli.
— Oi. O que foi?
— Você ficou aí com o olhar perdido. O que aconteceu?
— Quer saber? É isso mesmo. Quero me vingar daquele maldito… e daquela mulherzinha nojenta dele. Aqueles dois acabaram com a minha vida e tomaram a casa que era dos meus pais. Eu tinha o dinheiro para quitar a hipoteca, mas aquele desgraçado tomou a casa antes do prazo e me despejou.
— Eu sei, amiga… só de lembrar disso já me dá uma raiva daquele infeliz. — disse Ceci, entre dentes.
— Se você está com raiva… estou com ódio. E quero me vingar deles, sim.
— E como você pretende fazer isso? Porque quero te auxiliar no que for preciso.
Olhei para ela e sorri. Unidas para o que der e vier.
— Eu ainda não sei. — admiti. — Mas vou descobrir.
Não seria fácil. Aqueles dois são poderosos. E derrubar gente assim… exige mais do que raiva. Exige estratégia, paciência, inteligência e recursos.
Foi então que ouvimos uma voz.
— Talvez eu possa te ajudar com isso.
Eu e Ceci nos viramos imediatamente na direção da voz.

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