VICTOR BALTIMOR.
Eu estava concentrado nos relatórios à minha frente quando, pela primeira vez em horas, senti minha atenção falhar. Não por cansaço… mas por algo muito mais simples.
Fome.
Fechei a pasta devagar e recostei na cadeira, soltando o ar.
— Que tal pararmos um pouco e irmos comer? Estou com fome.
Pablo ergueu os olhos imediatamente, como se eu tivesse acabado de dizer algo absurdo.
— Você quer parar… para comer?
Ergui uma sobrancelha.
— Isso mesmo.
Ele me analisou por alguns segundos, desconfiado, e então soltou:
— Sério? Você? Parando no meio do trabalho para se alimentar? O que está acontecendo? Está passando mal?
Revirei os olhos.
— Não estou passando mal, Pablo. Só quero comer alguma coisa… e ver minhas meninas.
Fiz uma pausa breve, apoiando os cotovelos na mesa, e continuei:
— Quero saber como elas estão. Estou sentindo falta da presença da Melissa dormindo aqui enquanto trabalhamos.
Pablo sorriu na mesma hora, aquele sorriso sacana que eu conhecia bem.
— Está explicado. Quer babar na cria… e ser mimado pela noiva.
Inclinei a cabeça, olhando para ele com tédio e não dando importância para seu comentário debochado.
— Quem é você e o que fez com o meu amigo Victor? — ele completou, rindo.
Soltei um leve riso pelo nariz.
— Deixe de graça. Você melhor do que qualquer um sabe quem sou de verdade… e que gosto desse contato com elas.
Me levantei.
— E só quero ver quando chegar sua vez. Vou rir muito da sua cara de apaixonado — comentei.
Pablo se levantou também, balançando a cabeça.
— Isso não vai acontecer, meu amigo. Sou imune a esse tipo de coisa. Sou uma alma livre. Nada de me apaixonar.
Cruzei meus braços, encarando-o com um sorriso debochado.
— Vou ter o maior prazer de jogar essa frase na sua cara quando você estiver correndo atrás da mulher que ama.
Ele riu.
— Isso quero ver.
Saímos do escritório ainda rindo, mas, assim que entramos no corredor, vozes chamaram minha atenção. Elisa e Ceci.
Parei automaticamente, erguendo a mão para que Pablo fizesse o mesmo. Ele me olhou, confuso, mas ficou em silêncio. A voz de Ceci veio clara:
— …o maior inimigo do meu tio. O senador Afonso.
Meu corpo ficou rígido no mesmo instante. Troquei um olhar rápido com Pablo. Ficamos ali. Ouvindo a conversa delas, cada palavra e suspeita. Quando Elisa começou a falar… sobre a injustiça que sofreu… algo dentro de mim se revirou.
Uma raiva, fria, controlada e perigosa, me dominou. Eu havia prometido a mim mesmo que resolveria aquilo e me esqueci. Haviam acontecido tantas coisas e depois, no meio do acidente… da recuperação… da investigação…
Eu esqueci. Apertei o maxilar. Me inclinei levemente para o lado de Pablo e falei baixo:
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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.