ELISA RIVER.
Victor começou a gargalhar com o que eu disse. E aquela peste ficava lindo rindo. Observei, contra a minha vontade, sentindo um calor perigoso nascer entre as pernas. O som da gargalhada dele era solto, contagiante demais para alguém tão arrogante. Sacudi a cabeça, tentando me livrar da reação que aquele homem me causava. Não podia me permitir isso.
— Posso saber qual é a graça?
Ele ainda ria quando me olhou.
— Você — disse. Mas, de repente, o sorriso sumiu. — Você só pode estar de brincadeira, garota. Eu não sou homem de me ajoelhar para ninguém. Muito menos implorar.
A frieza com que declarou aquilo me deu um calafrio. Ali estava o poderoso primeiro-ministro, que tanto se ouvia falar. Ainda assim, não iria me intimidar com seu jeito autoritário.
— Pois, se quiser que eu trabalhe para você, terá que se ajoelhar — decretei, firme. O olhar de Victor endureceu.
— Você está se valorizando demais, garota. Nem babá de verdade você é. Não tem a menor qualificação. — Aproximou-se um passo. — E eu sei tudo sobre você. Sei o que aconteceu no seu antigo emprego. Você só está aqui porque meu irmão pediu um favor. Sei que não tem onde cair morta.
As palavras vieram carregadas de frieza.
— Então abaixe essa bola, pois, se eu quiser, eu arrumo uma babá muito mais eficiente que você.
Engoli em seco. Doeu ouvir, porque era verdade. Eu não tinha mais nada. Nenhuma segurança. Nenhuma garantia. Mas ainda tinha minha dignidade. E não era obrigada a suportá-lo. Passei por ele e fui até a porta, abrindo-a.
— Muito bem. Se é assim, saia do meu quarto e desapareça da minha vida.
Ele se aproximou para sair, e eu continuei, sentindo a coragem crescer dentro de mim.
— Posso estar na merda, ferrada, sem poder recusar emprego. Mas ainda tenho dignidade e força para procurar trabalho. Nunca tive medo de trabalhar. Posso trabalhar em qualquer emprego, desde que pague minhas contas e me sustente. Qualquer trabalho é digno.
Victor chegou até a porta. Por um segundo, achei que ele fosse embora e me livraria dele. Mas, em vez disso, ele fechou a porta novamente. O som seco ecoou no quarto.
— O que foi? — provoquei, com um sorriso afiado. — Não vai atrás de uma babá qualificada? Ah, é mesmo… nenhuma das suas super babás conseguiu acalmar sua filha. Só eu fiz essa façanha.
Ele se aproximou e respirou fundo, como se estivesse tentando se acalmar.
— Você está certa. Eu preciso dos seus serviços — disse. — Mesmo sendo uma insolente e desqualificada, completamente inapropriada e tendo uma língua muito afiada. — Chegou perto demais. — Me diga, como uma professora consegue ser tão boca suja e desaforada?
Afastei-me um passo. Não respondi. Eu não era assim com meus alunos. Eu era uma professora correta, dedicada que amava o que fazia. Mas deixei de ser moldável no dia em que fui injustiçada. E aquele homem mexia com a minha paciência como ninguém.
— Se meu modo de ser te incomoda tanto — retruquei —, o que ainda faz aqui?



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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.