VICTOR BALTIMOR.
Me sentei pesado na cadeira, o peso da revelação caindo sobre mim como uma avalanche. Pablo permaneceu ali, quieto, esperando. O dispensei, depois me acertaria com ele. Minha cabeça girava: eu a humilhara. Cuspi acusações imundas na cara dela. Chamei-a de prostituta, de interesseira. E ela era somente uma professora. A melhor amiga da minha sobrinha. A mulher que tinha me deixado louco naquela noite. A única que foi capaz de me satisfazer.
A culpa era amarga, mas eu o engoli rápido. Não era hora de fraquejar. Melissa precisava de uma babá. Era só isso que importava agora. Bem e meu interesse em ter aquela diaba por perto.
A casa estava um caos desde que Elisa saíra. Os gritos da minha filha atravessavam paredes, portas fechadas, tudo. A menina berrava sem parar, recusava tudo — mamadeira, colo, sono. Nenhuma funcionária conseguia acalmá-la. Minha mãe estava exausta e andava de um lado para o outro, nervosa, e eu… eu não conseguia pensar direito com aquele choro constante.
Saí do escritório com passos decididos, já era noite e passava das vinte e três horas. Encontrei minha mãe na sala, tentando acalmar Melissa nos braços, seu rostinho estava vermelho. Esses choros estão me enlouquecendo. Preciso fazer algo e rápido.
— Mãe, onde Elisa está hospedada?
Minha mãe ergueu os olhos, surpresa, uma sobrancelha arqueada em desafio.
— Agora quer saber, é?
Engoli o orgulho como se fosse vidro moído.
— Cometi um erro. Vou recontratá-la.
O rosto dela se iluminou na hora, um sorriso enorme se abrindo.
— Aleluia, filho! Finalmente a razão falou mais alto que esse ego inflado. — Ela quase dançou com Melissa no colo. — Ela não deixou endereço fixo. Veio direto do aeroporto. Mas pedi ao motorista que a levasse para um hotel de uma amiga minha. — Disse e piscou. Franzi o cenho.
— Qual hotel?
Minha mãe sorriu de canto, maliciosa, e me entregou um papelzinho dobrado. Ela já sabia que eu procuraria por Elisa. Minha mãe é muito manipuladora.
— Aqui. E vê se pede desculpas direito, Victor. Essa menina é um tesouro. E eu não tenho mais idade para ser babá. E tenho minha casa e vida.
Não respondi. Só peguei o papel, olhei para Melissa — que ainda choramingava — e saí.
A noite estava fria, o ar cortante. Dirigi rápido, a mente focada num único objetivo: trazer Elisa de volta para casa, para Melissa. Saber que ela não era prostituta me aliviava mais do que eu queria admitir. Poderia tê-la na minha casa, perto de mim, reviver aquela noite incendiária.
Meu cérebro gritava perigo, escândalo, risco. Já meu pau, porém, não dava a mínima para razões. Só lembrava o quanto ela era apertada, quente, molhada, o quanto ela me fez gozar.
Cheguei ao hotel em menos de meia hora, já era meia-noite. A recepcionista me reconheceu e liberou a entrada sem perguntas. — minha mãe já tinha ligado, claro — Subi as escadas, o coração batendo forte como um adolescente na primeira transa.
Parei diante da porta. Ajeitei a gravata, respirei fundo e bati. Uma vez. Silêncio. Bati mais forte, quatro vezes. Nada.
“Ela está me ignorando. Sabe que sou eu e está me ignorando.” Um frio subiu pela espinha: “E se passou mal?”

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