ELISA RIVER.
— Estou chocada. Que babado forte, menina. O que aconteceu depois?
— O que sei é que meu tio rompeu definitivamente com ela. O pai de Charlotte é um advogado sem escrúpulos e tem contatos com gente corrupta. Conseguiu tirá-la da cadeia. E o inferno do meu tio começou. Essa louca passou a persegui-lo e a ligar toda hora. Ouvi dizer que ele pediu uma medida protetiva contra ela. Parece que houve algo grave que meus pais não querem que eu saiba.
— Essa mulher é mesmo louca.
— Não, Eli. Ela é psicopata. Fique longe dela. E tome cuidado agora.
— Por que está falando isso?
— Ora, você é a noiva do meu tio. Vão se casar. O que acha que aquela louca veio fazer aqui? Charlotte é dissimulada, obsessiva e narcisista. Não se importa em fazer maldade. Acha mesmo que vai te deixar em paz agora que sabe que vai se casar com ele?
— Você acha que ela vai me perseguir?
— Lógico. Essa mulher não tem escrúpulos nem limites, assim como o pai dela. Agora que descobriu o endereço do meu tio, graças à estupidez dos gêmeos, é bom ficar atenta e vigilante. Ela teve coragem de vir até aqui, mesmo com uma medida protetiva.
Senti um arrepio percorrer todo o meu corpo, e uma sensação ruim se alojou no meu peito.
— Você acha que eu e meus filhos estamos correndo perigo? — perguntei, colocando a mão na barriga.
— Com certeza… — ela dizia quando parou e me olhou. — Espera. Filhos? Que filhos?
Suspirei. Eu havia falado demais.
— Eu iria te dar a notícia hoje, após o jantar. Não surta. Eu estou grávida do seu tio, mas é segredo — contei devagar, segurando a mão dela.
Ceci arregalou os olhos, chocada, e olhou para a minha barriga.
— Grávida… — disse, e eu coloquei a mão na boca dela.
— Está louca? Eu disse ser segredo.
— Você que está louca se acha que vai me contar uma bomba dessas e eu não vou vibrar de alegria. Eli, isso é maravilhoso — disse, segurando minha mão e depois me abraçando.
Ouvimos, então, a voz do senhor Thomas.
— O que vocês estão aprontando?
Nós nos separamos e o olhamos ao mesmo tempo.
— Nada, papai. Só estou matando a saudade da minha melhor amiga. Não posso? — questionou Ceci.
— Claro que pode, querida. Mas vocês duas, quando estão num canto cochichando, não é boa coisa. Querem me contar alguma coisa?
— Eu estou bem. Que tal começarmos nosso jantar? — perguntou, levantando-se.
Ele se virou para os convidados:
— Obrigado a todos por comparecerem ao nosso jantar de noivado e desculpem pela demora. É ótimo ter a companhia de vocês aqui hoje, neste momento tão especial para mim e para Elisa. Não vou fazer um discurso. Que comece o jantar.
Ele sorriu, e, como sempre, parecia ainda mais bonito.
Todos sorriram e começaram a ir em direção à sala de jantar. Victor deu um passo, mas segurei a mão dele. Ele olhou para mim.
— O que foi? Está sentindo alguma coisa? — perguntou, apreensivo.
— Não, estou bem. Só queria fazer uma pergunta.
— Que bom que está bem. Pode fazer a pergunta. Prometo responder da melhor maneira possível — disse, puxando-me pela cintura e me mantendo bem perto.
Confesso que fiquei agitada com sua aproximação e quase esqueci o que queria perguntar. Sacudi a cabeça para afastar os pensamentos excitantes que me vieram à mente.
— Se eu te pedisse para me contar sobre Charlotte, você me contaria?
Senti o corpo dele ficar automaticamente rígido. Parecia que eu havia tocado em um ponto extremamente delicado.

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