VICTOR BALTIMOR.
Às vezes, eu tinha vontade de esganar minha amiga. Ceci conseguia ser bocuda e inconveniente em alguns momentos. Recuperei-me da tosse que me abateu. Victor fazia carinho nas minhas costas. Quando eu iria abrir a boca para falar, o senhor Thomas foi mais rápido.
— Cecília, não seja inconveniente e respeite seu tio e Elisa — repreendeu a filha.
— Seu pai está certo, filha. Não seja indelicada e intrometida — disse Eleonor, concordando com o marido.
Ceci abaixou a cabeça, envergonhada com a bronca que levou dos pais.
— Desculpe, Eli e titio. Eu não deveria me meter na vida de vocês.
Suspirei, pois eu estava chateada com ela.
— Não deveria mesmo. Isso é assunto meu e da Elisa. Ninguém aqui tem que se intrometer. Somos adultos, solteiros e donos dos nossos narizes. Não temos que dar satisfação do que fazemos e com quem fazemos — disse Victor, sendo firme com Ceci, que o olhou surpresa.
Acho que Victor nunca a repreendeu assim antes.
— Muito bem, vamos colocar fim nessa história e tomar nosso café da manhã em paz — falou a senhora Abigail.
Ninguém falou mais nada, e continuamos nossa refeição. Estava um clima estranho.
— Thomas e eu resolvemos aproveitar o dia em família e comemorar a gravidez da Elisa. Sei que todos já estão sabendo da gravidez — comentou Victor, quebrando o silêncio.
— Ótima ideia, querido. Falem com Átila para que ele providencie tudo. O que pretendem fazer? — perguntou sua mãe.
— Resolvemos assar algumas carnes para nossas mulheres, assim como papai fazia para a senhora, mamãe — contou Thomas.
Desde quando esses dois sabem cozinhar? Pensei.
A senhora Abigail ficou surpresa e depois sorriu. Mas seus olhos ficaram marejados.
— Essa é uma excelente ideia. Seu pai faria isso para comemorar se estivesse aqui — disse, emocionada.
— Vou falar com Átila para providenciar tudo — falou Victor e me olhou. — Gostaria de comer algo especial?
— Não, ainda não começaram os desejos. Quer dizer que você sabe cozinhar? — questionei, analisando-o.
— Meu pai fez questão de que eu e meu irmão aprendêssemos, para poder agradar nossas esposas e filhas — comentou, sorrindo.
— Isso é surpreendente. Nunca imaginei te ver de avental.
— Eli, não faça isso comigo. Não mata de curiosidade a fofoqueira que existe em mim. Por favor, conta, vai — pediu, quase implorando.
Suspirei, pois essa intrometida não ia me deixar em paz.
— Olha, se contar para alguém o que vou te contar, eu te mato.
— Que isso, amiga. Para quem eu contaria essas coisas?
— Não sei. Ultimamente você está muito bocuda.
— Assim você me magoa e enfraquece a amizade, Eli. Nós somos uma dupla inseparável.
Revirei os olhos para o drama dela. Me aproximei e falei bem perto do seu ouvido, para que ninguém ouvisse. Sei que tem câmeras de vigilância pelo jardim, com sistema de som, assim como seguranças e funcionários da casa passando. Não quero que essa história acabe na boca do povo.
Contei tudo o que aconteceu para Ceci, que ficou passada.
— Você fez o quê? — Perguntou fazendo escândalo. Olhei em volta e vi que não estávamos sozinhos.
— O que está fazendo aqui, está nos espionando? — Perguntou Cecilia rude.

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