ELISA RIVER.
Olhamos para Meire que ficou nervosa e começou a gaguejar. Será que ela escutou alguma coisa?
— Eu só estava passando, senhorita Cecilia.
— Sei, me pareceu estar espionando. O caminho é lá e não ali atrás das plantas. Caia fora daqui, se te ver espionando, mando meu tio te demitir. — Disse Ceci, com frieza.
Meire se afastou rapidamente, mas notei seu olhar insatisfeito para mim.
— Será que ela escutou algo e, por que foi tão rude com ela?
— Ela não escutou nada, você estava sussurrando. E eu não gosto dela, desde que começou a trabalhar aqui e percebi suas intenções. Essa, ai, é apaixonada no meu tio. Fique de olho nela.
Fiquei surpresa por Ceci, também saber dessa paixão de Meire por Victor.
— Eu já ouvi falar sobre essa paixão dela.
— E você ainda não pediu para meu tio a demitir? Não se incomoda com isso?
— Eu não vou pedir para seu tio, demitir alguém por está apaixonada por ele. Isso não é motivo de demissão. Qualquer um está sujeito a isso.
— Você que sabe. Eu não criaria cobra debaixo da minha cama. Te digo que essa, ai, é obcecada pelo meu tio, posso ver no olhar dela. E não gostei de como essa infeliz te olhou. Não notou?
Eu havia notado, mas não me importei. Mas não vou dizer para minha amiga e piorar as coisas.
— Que olhar, não estava prestando atenção.
— Aquele olhar de quem te culpa por pegar o que é dela. Acho que deveria se livrar dela e logo.
— Você está exagerando.
— Você que sabe, agora vamos voltar ao que estávamos falando quando fomos interrompidas.
— O que era mesmo? — Perguntei fingindo esquecimento e sorri.
— Elisa, você é muito safada e sonsa. Não acredito que teve essa coragem. Olha, nunca pensei que você se transformaria assim. Cadê minha amiga recatada e tímida?
— Morreu quando aquele banqueiro desgraçado destruiu minha vida. Mas não vamos falar sobre aquele otário.
— Isso. Vamos falar de você, do meu tio e do casamento de vocês. Temos muito para planejar e executar.
— O que foi? Eu estou velha, mas não sou uma jovem inocente e ingênua. Já transei muito, em vários lugares diferentes. Como disse, Rubens era insaciável e gostava de novidades. Então me fodia em qualquer lugar, se tivéssemos vontade.
Arregalei os olhos e comecei a rir. Ela me acompanhou. A senhora Abigail me surpreendeu. Parece que Victor herdou essa fome de sexo do pai e da mãe.
Quando a tarde chegou, Ceci e seus pais foram embora. Minha sogra ficou para o jantar e depois se foi também, restando apenas eu, Victor e Mel.
Ele se enfiou no meu quarto outra vez. Nos deitamos na cama, e Mel estava deitada entre nós, toda animada, balançando os braços e as pernas. Ela fazia barulhinhos fofos de bebê.
— Elisa, eu contratei um motorista para você. Não quero que precise sair sozinha ou com a Melissa e tenha que usar um táxi.
— Obrigada — agradeci. Não precisar pegar táxi ou ônibus para sair era bom, se bem que nesse bairro não passa ônibus.
— Eu também contratei alguns seguranças para você. A partir de amanhã, você não pode sair sem ser acompanhada pelos seus quatro seguranças — informou.
Olhei para ele sem entender.
— Por que eu preciso de segurança e de quatro de uma vez? Victor, o que está acontecendo?
Notei a tensão se instalar nele no instante em que perguntei.

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