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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 18

O novo ciclo começou espelhando o anterior, com uma avalanche de exames, protocolos e horários implacáveis. Dayse, mais uma vez, se viu reduzida a um mero receptáculo clínico. As injeções diárias perfuravam sua pele como agulhas de gelo, enquanto as refeições controladas pareciam mais uma punição do que nutrição.

Os dias e as noites eram marcados por encontros pontuais, onde o relógio ditava cada movimento, cada palavra. Enzo surgia sempre da mesma forma: sem emoção. Trocavam poucas palavras, às vezes nenhuma.

Dayse, em sua tentativa de romper o silêncio, fazia perguntas simples sobre a vida além daquelas paredes.

No entanto, suas palavras se perdiam no vazio, sem nunca obter uma resposta. Ela acabou desistindo, pois o silêncio dele era como uma lâmina afiada, cortando fundo.

A cada ausência de resposta, um pedaço da esperança dentro dela se desfazia.

Enzo chegava sempre no mesmo horário, e Dayse já o esperava, como um relógio que nunca falha. Ele nunca tentou invadir sua intimidade; não havia beijos, carícias ou qualquer fingimento de desejo.

Tudo era funcional, quase mecânico.

A cada noite, o cenário se repetia: Enzo entrava com o olhar distante, como se fosse um autômato cumprindo um papel imposto. A precisão dos seus movimentos e a ausência de emoção reforçavam a sensação de um ritual vazio, onde cada gesto parecia ensaiado, sem vida, sem alma.

Dayse, por sua vez, mantinha-se firme, quase como uma estátua de mármore, inabalável e serena. A frieza de Enzo não a atingia mais. Assim, noite após noite, seguiam, dois estranhos unidos por um pacto silencioso, onde a funcionalidade era a única constante.

No entanto, Enzo estava tenso — não com ela, mas com o processo. Dayse percebia isso nos gestos, nos olhares perdidos para o chão após o ato. A rigidez dele escondia um conflito interno que ele não compartilhava.

Em uma dessas noites ela notou algo diferente: ele estava mais intenso. O olhar, antes frio e distante, agora carregava uma mistura intrigante de dúvida e desejo. Algo novo estava surgindo entre os dois.

Embora insistisse em manter o semblante frio, Enzo parecia cada vez mais enredado naquela atmosfera que os envolvia. Sua presença, antes marcada pela pressa e pela indiferença, agora se prolongava no quarto, como se o ar pesado o atraísse, como se ele próprio não soubesse mais como sair.

Seus toques haviam perdido a rigidez clínica; eram mais lentos, mais incertos, porém carregados de uma eletricidade silenciosa que fazia a pele de Dayse arrepiar a cada aproximação. E, vez ou outra, um suspiro escapava de seus lábios — rouco, involuntário, um traço de desejo que ele não conseguia mais esconder.

Dayse percebia. E aquilo a deixava em alerta, mas também... desperta. Havia algo inebriante naquele jogo silencioso. Queria acreditar que significava alguma coisa — que, por trás daquela couraça gelada, havia um homem real, prestes a se desfazer.

Numa das noites, Enzo se aproximou devagar, com um arrastar de passos que parecia medir cada centímetro entre eles. Seus dedos, trêmulos, pairaram a poucos milímetros do corpo dela, como se o desejo fosse grande demais para ser negado, mas a culpa ou o medo o impedissem de ceder completamente.

Por duas vezes, seus olhos cruzaram os de Dayse, famintos, intensos, mas logo desviaram para o corpo dela, como se quisesse devorá-la por inteiro. Dayse, por sua vez, não se moveu. Manteve-se ereta, os olhos cravados nos dele, oferecendo não fuga, mas desafio.

― "Venha", diziam seus olhos ― "Seja homem o bastante para atravessar essa distância."

E ele quase foi. Estendeu a mão, lenta, quase reverente, até parar a centímetros do rosto dela. O calor da respiração de ambos se misturava no ar espesso, e Dayse sentiu o corpo inteiro tenso, pronto, desejando o toque que não veio.

Enzo vacilou. Os dedos tremularam no ar, prontos para roçar a pele, mas então... recuaram. Como sempre, ele se fechou, como se cada impulso de entrega fosse um erro a ser corrigido. Como se não soubesse como lidar com a combustão iminente entre eles.

E ela, imóvel, o acompanhou com o olhar enquanto ele se afastava mais uma vez, frustrado, dominado por aquela força que insistia em manter sua alma e seu corpo sob controle.

Mas, naquele instante, Dayse soube: ele queria. Queria com a mesma intensidade que negava.

E o desejo reprimido... é sempre o mais perigoso.

E foi assim desta vez também... Quando tudo terminou, ele se vestiu em silêncio, sem pronunciar uma única palavra.

Capítulo 18 ― O Avanço e a Resistência 1

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