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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 24

Dentro da mansão, a atmosfera havia se transformado; não parecia mais uma casa comum, mas sim um intricadíssimo relógio. Cada batida do coração era como um lembrete pulsante, e cada degrau soava como um tique-taque silencioso, ecoando pela desolada estrutura.

Dayse sentia a passagem do tempo como se estivesse presa em uma armadilha invisível.

Naquela manhã, Luna apareceu à porta do quarto, seu semblante habitual de frieza, inspirando em Dayse um arrepio súbito, mas algo estava claramente diferente — um leve franzir das sobrancelhas e uma pressão quase palpável nos ares.

― O senhor Lorenzo deseja falar com você agora ― anunciou Luna, sua voz gélida como seu olhar penetrante.

Dayse levantou-se da poltrona onde estava concentrada em fingir ler um livro. Do outro lado do quarto, Enzo que ainda estava se vestindo, lançou um olhar para ela, mas não pronunciou uma única palavra.

O silêncio entre eles pesava tanto quanto a tensão que pairava na mansão-relógio, onde cada segundo parecia carregado de uma expectativa latente. O corredor, que já era extenso, parecia se alongar ainda mais naquele dia nebuloso e repleto de incertezas.

Lorenzo estava na biblioteca, aguardando por ela, diante dele, um contrato que repousava na mesa.

A luz dourada da tarde filtrava-se pelas janelas imponentes, mas o calor que dela se esperava parecia ter esquecido aquele espaço.

Enzo, à mercê do momento, estava de pé, encostado à lareira, como um observador involuntário de uma cena que parecia prestes a desvelar-se em drama. Lorenzo, então, abriu o documento com a minúcia de um cirurgião prestes a realizar uma operação delicada.

— Senhora Bellucci — começou ele, entoando um tom cortês que mal mascarava sua real intenção — permita-me refrescar sua memória.

Cada palavra que leu parecia ressoar na sala, como se estivesse cravando pregos na madeira com uma precisão quase cirúrgica:

— "A parte cônjuge feminina compromete-se a residir na propriedade da família Bellucci pelo período máximo de 12 meses, contados a partir da assinatura, para fins exclusivos de concepção e gestação de um herdeiro. O não cumprimento implicará no término imediato do contrato e na anulação de quaisquer obrigações civis posteriores."

Quando ele finalmente terminou, o estalo do contrato ecoou na sala como um trovão silencioso.

Seus olhos, agora implacáveis, fixaram-se nela.

— Já se passaram sessenta e oito dias. Isso significa que ainda temos duzentos e noventa e sete dias para cumprir o que foi prometido.

Dayse, com uma máscara de neutralidade, pressionou discretamente um botão oculto em sua blusa, ativando um gravador que registava cada palavra

— Estou ciente — respondeu, com uma firmeza que contrastava com o ambiente tenso.

— Ótimo — ele respondeu, a voz fria e calculista, enquanto girava lentamente a bengala entre os dedos, como se estivesse pesando a gravidade da situação.

— Porque minha paciência já está se esgotando.

Ele se aproximou dela, dando um passo decidido que o trouxe bem para perto, o tom de sua voz adquirindo uma pitada ameaçadora.

― Você está aqui porque é útil, funcional..., mas lembre-se, é substituível.

Ele pausou, o olhar afiado, deixando claro que sua tolerância não significava apreciação.

― Se não houver um herdeiro até a data limite ― ele sussurrou, a voz impregnada de veneno ― você não vai sair por essa porta. Não da mesma forma que entrou.

Dayse engoliu em seco, mas manteve os ombros firmes.

― O senhor está me ameaçando?

― Estou apenas relembrando qual é o seu papel nesta família e o que vai perder se falhar ― ele respondeu, o tom frio e calculado, como se cada palavra fosse uma lâmina afiada.

Atrás dele, Enzo desviou o olhar, seu maxilar tenso, evidenciando um conflito interno. Mas Dayse, sem recuar, fixou seus olhos nos de Lorenzo, desafiadora.

― Eu não sou apenas um ventre, e não serei apenas um erro. Continue falando, se quiser; tudo isso está sendo registrado.

Lorenzo franziu a testa, completamente perdido naquele momento.

Ela, por sua vez, ofereceu um pequeno sorriso, mas ao mesmo tempo repleto de uma intensidade quase palpável, como se houvesse um toque de perigo em seu gesto.

— Na minha memória ― disse em um tom sereno que contrastava com a tempestade que se formava ao seu redor.

Ele soltou uma risada seca, virou bruscamente e se dirigiu de volta à mesa

— Isso é tudo, pode sair.

O corpo dela… ainda tão jovem, mas já moldado por uma maturidade precoce, como se a vida tivesse esculpido nela uma mulher sem pedir licença. A curva da cintura, a pele clara contra a penumbra, os fios de cabelo úmidos de calor.

E o cheiro... ah, o cheiro dela. Não era algo fabricado, não vinha de frascos ou artifícios; era dela, visceral, inconfundível, e o desarmava por completo.

Havia uma sensualidade nela que ela própria não reconhecia, mas que queimava nele como fogo sob controle.

E naquele instante, Enzo sentiu o peso de uma revelação que o desarmou por completo: ela não era indiferente a ele. Havia algo mais profundo, mais intrincado, pulsando entre eles.

Algo que oscilava entre a resistência feroz e uma entrega quase inevitável, como se ambos estivessem presos em um jogo silencioso de vontades. Ele não sabia nomear aquilo, mas sabia que estava acontecendo.

Bastaria um gesto, um movimento mínimo de sua parte, e ela se renderia por inteiro. Ele tinha essa certeza gravada em cada fibra do seu ser.

Mas era inútil. Ele sabia disso.

Ela não era o tipo de mulher que cabia na moldura que ele havia construído para sua vida. Não era a figura idealizada que ele imaginava ao seu lado, a mãe impecável de seus filhos, a esposa perfeita que ele poderia exibir com orgulho nos salões da alta sociedade.

E, ainda assim, havia algo nela que o fazia hesitar, algo que o prendia em um labirinto de dúvidas. Era como se a perfeição que ele tanto almejara ao longo da vida não passasse de uma cela dourada, uma prisão que ele mesmo havia construído, tijolo por tijolo, com suas próprias expectativas.

Victoria, sim, era tudo o que ele acreditava querer: elegante, educada, impecável. Mas, no fundo, ele sabia. Sabia que nenhuma das duas jamais seria suficiente aos olhos implacáveis de seu avô.

Nem Dayse, a mulher que carregava no olhar o peso de um contrato.

Nem Victoria, a noiva de um passado que parecia assombrar cada passo, envolta em tragédias e agora incapaz de oferecer o que a linhagem exigia: herdeiros.

Naquela noite, onde o desejo e a culpa se entrelaçavam como serpentes sob sua pele, Enzo finalmente compreendeu que a paz continuaria a ser um luxo inalcançável. Dayse o desarmava de um jeito que nenhuma outra mulher jamais ousara.

Ela não apenas mexia com ele; ela o despia de suas defesas, arrancando-lhe o controle que ele tanto prezava. E isso... isso o aterrorizava.

Ele sabia que não podia se permitir fraquejar, não podia baixar a guarda.

Mas ali, com ela tão vulnerável, tão entregue, tão ao alcance de suas mãos, ele percebeu que resistir já não era uma opção. Não mais.

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