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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 25

As noites de Dayse e Enzo transformaram-se em uma rotina de aparente monotonia.

Ele entrava no quarto com a mesma precisão impiedosa de sempre, sem anunciar a chegada, sem pedir licença. O som firme de seus sapatos no mármore precedia a presença gélida que preenchia o espaço assim que ele cruzava a soleira. Nem um olhar, nem uma palavra: apenas o ritual, ensaiado à exaustão, esvaziado de qualquer humanidade.

Tirava o paletó e o jogava displicentemente sobre a poltrona, arregaçando as mangas da camisa com movimentos calculados, quase como quem se prepara para mais uma tarefa burocrática.

Dayse o observava de soslaio, sentada na beira da cama, o coração apertado em um nó silencioso que já não se desfazia há dias. Ela aprendeu a reconhecer o desprezo disfarçado de indiferença: o olhar que passava por ela como quem vê um móvel fora do lugar, o toque rápido e impessoal, a ausência absoluta de qualquer vestígio de afeto.

Ele se aproximou e, sem trocar um olhar, a empurrou suavemente, mas com uma firmeza que não permitia recusa, até que ela se deitasse. Seus dedos frios deslizaram pelo tecido do robe dela, abrindo-o com a mesma falta de emoção com que se desabotoa um punho apertado demais.

Não havia hesitação, tampouco cuidado: apenas um corpo a ser usado, um protocolo a ser seguido, uma função a ser executada com a frieza mecânica de quem despreza o que toca.

O ato, como todas as noites, seguia desprovido de qualquer aproximação verdadeira. Seus toques eram rápidos, um gesto seguido de um fim.

Dayse mantinha os olhos abertos, sentindo cada movimento como uma agressão muda, um lembrete cruel da ausência de escolha. Não gemeu, não resistiu, não respondeu: apenas respirou fundo, como quem atravessa uma tempestade, esperando que o céu, em algum momento, volte a clarear.

Assim que terminou, Enzo se afastou bruscamente, como quem termina uma transação comercial sem sequer confirmar o pagamento. Geralmente, ele se virava de costas e dormia, buscando no sono um refúgio para sua alma inquieta, mas esta noite foi diferente.

Levantou-se, ajeitou a camisa com o mesmo capricho meticuloso e, sem uma palavra, caminhou até o banheiro. O som da água correndo na pia preenchia o quarto vazio.

O silêncio preenchia o ambiente como uma sinfonia ensaiada.

Quando voltou, já vestido, pegou o relógio sobre a cômoda, prendeu-o ao pulso e, sem sequer lançar um último olhar para Dayse, disse com frieza:

― Esta noite não vou dormir aqui.

E saiu, deixando a porta entreaberta, como se nem ao menos se importasse em garantir a privacidade dela ou sua própria. Apenas um corpo abandonando outro, no mesmo espaço, mas em mundos absolutamente distintos.

Dayse permaneceu deitada, imóvel, os olhos fixos na luz pálida que invadia o quarto através da fresta da porta. Não chorou, não se encolheu, não amaldiçoou: apenas inspirou fundo, preenchendo os pulmões com a coragem silenciosa que havia aprendido a cultivar.

Na manhã seguinte, o lençol ainda guardava o calor residual do corpo que a desprezava noite após noite. Ela se levantou, caminhou até o espelho e se encarou. As olheiras marcavam sua pele, os olhos estavam opacos, mas o que a sustentava não era o desejo de ser amada — era a necessidade vital de não ser destruída.

Encostou a mão na borda fria da pia, inclinou-se e sussurrou para o próprio reflexo:

― Se não posso impedi-lo de me usar, posso ao menos impedir que isso me defina ― refletia ela com uma determinação inabalável.

Depois ajeitou o robe, respirou fundo e abriu a janela. O ar frio da manhã invadiu o quarto como um sopro de vida, lembrando-a, silenciosamente, que resistir ainda era sua maior forma de luta.

Na manhã do oitavo dia consecutivo de tentativas, Luna apareceu no quarto mais cedo do que de costume.

― O senhor Lorenzo está fora do país em uma viagem de negócios, mas deixou instruções claras ― disse ela, com um tom firme, mas com um olhar que traía uma ponta de compaixão.

Os lençóis eram testemunhas silenciosas de um ciclo desprovido de alma.

Luna colocou um pequeno envelope sobre a escrivaninha. Dentro, havia um novo cronograma de exames, uma planilha de alimentação e uma nota simples:

― "Quero progresso, sem desculpas." ― A nota, embora breve, carregava o peso de uma exigência implacável.

Luna hesitou por um momento, como se quisesse dizer algo mais, mas se conteve. Ela sabia que qualquer palavra a mais poderia quebrar a frágil barreira de profissionalismo que mantinha.

O silêncio no quarto era quase palpável, carregado de emoções não ditas e expectativas sufocantes.

Dayse olhou para o envelope e sentiu uma onda de determinação.

― "Progresso?", pensou ela ― "é exatamente o que pretendo ver."

Seus olhos, no entanto, desviaram-se para o canto do teto, onde uma pequena câmera recém-instalada agora apontava diretamente para a cama.

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