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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 26

Na noite seguinte, Enzo retornou mais tarde do que de costume. Vestia um terno escuro, e seu rosto estava pálido, com olhos profundamente marcados pelo cansaço. Ainda assim, sua presença mantinha-se firme e imponente.

Ao fechar a porta atrás de si, o fez com uma força contida, quase como se estivesse tentando controlar uma tempestade interna. Lentamente, tirou o paletó e a gravata, e sentou-se na beira da cama.

Sem rodeios, mas com uma voz carregada de uma melancolia resignada, disse:

― Recebi o resultado dos exames. Nada ainda...?

Dayse não respondeu. Estava sentada na escrivaninha, fingindo ler um livro.

― Outra tentativa, outro fracasso, por que você não engravida? continuou Enzo, sua voz carregada de uma impaciência cortante como gelo.

Dayse piscou, atordoada pela brutalidade da pergunta. Dias de silêncio gélido, e a agora essa acusação. O sangue pareceu abandonar seu rosto, substituído por uma onda de calor que queimava suas bochechas.

― “Como ele ousa?” — pensou, sentindo um nó se formar em seu estômago. Vergonha e raiva se entrelaçavam, sufocando-a.

Ela virou-se lentamente, os olhos encontrando os dele.

— A culpa é do meu útero agora? — disse ela, a voz trêmula de emoção.

— Só estou dizendo que tudo está funcionando, menos você — respondeu Enzo, suas palavras ecoando no silêncio da noite.

— Eu não sei... — murmurou, a voz embargada e quase inaudível. Mas, como se uma força invisível a impelisse, ergueu o queixo, desafiando-o com um olhar que ousava confrontar sua frieza.

— Mas já considerou que talvez o problema não seja comigo? Talvez seja você que não esteja... “funcionando”?

A expressão de Enzo se contorceu em uma máscara de irritação. Como se ela fosse um problema incômodo, uma equação mal resolvida que perturbava sua rotina.

— "Eles agem como se achassem que a gravidez fosse um interruptor que eu pudesse simplesmente ligar" ― ela pensou, enquanto as palavras dele reverberavam em sua mente como uma cruel ironia.

— E você acha que eu faço isso de propósito? Que me enveneno todas as noites só para frustrar você e o maldito legado do seu avô? — disse ela, a voz carregada de dor e desespero.

O silêncio que se seguiu foi pesado, cheio de sentimentos não ditos e mágoas profundas.

Ele passou a mão pelos cabelos, um gesto que Dayse já havia aprendido a reconhecer como um sinal claro de sua crescente impaciência. Enzo deu um passo à frente, seus olhos fixos nela, carregados de uma intensidade que a fez estremecer.

— Você aceitou o contrato. Apenas cumpra — disse ele, a voz firme, mas com uma ponta de desespero.

Enzo apertou os punhos, seu orgulho doía mais ainda por não conseguir desmenti-la, mas não voltou atrás no tom de cobrança.

— Só sei que o prazo está correndo, Dayse — disse ele, desviando o olhar e caminhando em direção à porta. Saiu sem dizer mais nada, deixando-a com a sensação de ser apenas uma peça descartável em um jogo cruel.

Dayse permaneceu imóvel, suas mãos trêmulas e o coração pulsando em um ritmo frenético como se estivesse prestes a explodir em uma sinfonia de desespero. No entanto, nenhuma lágrima escorreu por seu rosto; ela não chorava mais.

Com as mãos trêmulas, ela pegou o celular escondido e registrou o momento:

"Protocolo desumano Parte 4 - Sou o experimento que se recusa a obedecer. Hoje, pela primeira vez, ele tentou quebrar mais do que o contrato — tentou me quebrar por dentro.

Salvou, escondeu o aparelho, depois abriu o caderno e escreveu: "Dia 72: o corpo falhou. Eles dizem que a culpa é minha. Enquanto meu corpo resiste, minha mente segue lutando."

Mais tarde naquela mesma noite, deitada sozinha na cama, Dayse fixou o olhar no teto onde a câmera piscava lentamente, como um farol distante em meio à escuridão.

― Boa noite, família Bellucci ― murmurou com uma melancolia palpável, antes de fechar os olhos.

Contudo, como de costume, o sono a evitava. A insônia, sua companheira constante, e a solidão, sua sombra, envolviam-na em um abraço gélido. Cada noite era uma batalha silenciosa contra a escuridão e os pensamentos inquietos que não a deixavam descansar.

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