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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 27

Enzo entrou no quarto, como sempre, sem bater, como se o quarto também lhe pertencesse ― e lhe pertencia mesmo. Ele carregava uma mala de couro preto na mão, o paletó dobrado no braço e o olhar mais apagado que o normal.

Dayse estava jogada na poltrona, com os joelhos encolhidos sob o robe, um livro no colo só para disfarçar, coisa que sempre fazia. Ela já o sentia se aproximando antes mesmo de abrir a porta; tinha aprendido há muito tempo a reconhecer o som dos passos dele.

Ele parou por um instante, seus olhos fixos nela. Dayse ergueu o olhar e, por uma fração de segundo, parecia que o tempo havia congelado, como se o relógio tivesse esquecido de marcar o Tique-Taque. Foi então que ele a surpreendeu novamente, deixando-a sem reação.

— Vou viajar daqui a dois dias — disse ele, com uma voz firme e decidida, como se estivesse comunicando uma notícia irrelevante. A seriedade em seu tom não deixava espaço para dúvidas ou questionamentos. Era uma declaração que carregava o peso de uma decisão já tomada, um caminho traçado sem possibilidade de retorno.

Dayse sentiu um frio na espinha, como se uma brisa gelada tivesse passado por ela. A notícia era um choque, uma mudança abrupta que alterava o curso de tudo que ela havia planejado. Ela tentou encontrar palavras, mas a gravidade da situação parecia ter roubado sua capacidade de resposta.

— Dois dias? — conseguiu finalmente murmurar, sua voz quase inaudível, refletindo a incredulidade e a tristeza que começavam a se formar em seu coração. A palavra ecoou no ar, carregada de um misto de surpresa e desespero.

Ele assentiu lentamente, seus olhos ainda fixos nos dela, como se estivesse tentando transmitir a inevitabilidade de sua partida. Não havia mais nada a ser dito; a decisão estava tomada, e o tempo não esperaria por ninguém.

— Para onde você vai? — Sua voz saiu hesitante, quase um sussurro.

— Isso não te interessa. Apenas saiba que ficarei fora por alguns meses.

Alguns minutos se passaram. Dayse tentou processar aquela informação, mas um desconforto inexplicável já se espalhava por seu peito.

— E eu? O que vai acontecer comigo? Para onde eu vou? — perguntou, aflita. Enzo a olhou, seus olhos frios e inexpressivos, como sempre.

— Você já sabe o que acontecerá com você, Dayse. Se não estiver grávida, o acordo será invalidado. O prazo para engravidar foi de um ano, segundo o contrato.

Dayse conteve o ar por um instante. O que deveria ser uma promessa de liberdade ressoou como uma condenação. Não sabia explicar por quê, mas a ideia de ser descartada — como se nunca tivesse existido — fez algo dentro dela estremecer.

As palavras explodiam na cabeça dela como um trovão abafado. Demorou um instante para responder, calculando o tempo, as possibilidades, os ciclos, o contrato...

— Mas, se você vai viajar, isso significa que... — hesitou — não vai dar tempo.

— Exato.

Foi tudo o que ele disse. Depois, começou a recolher algumas roupas que havia trazido para o quarto dela. Dobrava com precisão — cada dobra parecia uma sentença.

Dayse se levantou, os olhos faiscando de frustração.

— Vai me deixar aqui nesta casa até completar um ano? Por que não me libera logo, então?

Enzo respondeu sem sequer olhá-la, a voz fria e distante.

— Contrato é contrato. Eu já fiz minha parte...

— Sua parte? — repetiu Dayse, a incredulidade tingindo suas palavras. — Qual parte?

— Estou há quase três meses dormindo com você todas as noites. Não me parece que esteja funcionando — a frase cortou o ar como uma lâmina afiada — já que você não engravida.

Dayse segurou firme as laterais do robe, tentando manter a compostura.

— Ou... talvez seja porque eu não sou uma máquina, né, Enzo?

Capítulo 27 – Tempo de Ausência 1

Capítulo 27 – Tempo de Ausência 2

Capítulo 27 – Tempo de Ausência 3

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