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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 28

Ela se virou com uma lentidão quase ritualística, como se cada gesto carregasse o peso de uma história não contada.

Despiu-se sem pressa, os dedos hesitantes, e caminhou até a cama. Ela se sentou na beirada, o corpo imóvel, os olhos perdidos em um ponto invisível.

O quarto estava mergulhado em sombras suaves, onde a luz filtrada parecia suspender o tempo.

O único som era o pulsar lento de seu próprio coração, um tambor silencioso que ecoava dentro dela. Nenhum movimento quebrava a quietude, exceto o leve tremor de seus dedos entrelaçados, como se o silêncio fosse uma presença viva — envolvendo, protegendo e ao mesmo tempo aprisionando-a.

Deitou-se ali, imóvel, como quem espera por algo que sabe que não virá da mesma forma. Seus olhos, fixos no teto, pareciam buscar respostas em um vazio que só devolvia um silêncio pesado, quase sufocante.

Quando ele a tocou, o gesto tinha a familiaridade de uma coreografia antiga, repetida tantas vezes que parecia estar gravada nos ossos. Mas naquela noite, algo estava diferente. Um cansaço que não vinha só do corpo, uma exaustão que parecia vir da alma, um vazio que preenchia o quarto com um silêncio pesado, quase sufocante.

Os olhos dele encontraram os dela, e por um instante o tempo pareceu estagnar. Não era preciso dizer nada; o silêncio falava por eles. A mão dele hesitou no ar, tão perto do rosto dela que podia sentir o calor da pele, mas não se atrevia a tocar.

Ela sentiu a respiração acelerar, um misto de medo e anseio que a fazia querer se entregar e, ao mesmo tempo, recuar. Naquele espaço entre o toque e o recuo, entre o querer e o temer, residia um desejo tão intenso que quase doía.

Ele lutava contra a urgência que crescia em seu peito, tentando conter o impulso de se aproximar, enquanto ela, por dentro, sentia o mesmo fogo que tentava esconder.

Mas então, ele a rolou na cama, “como sempre”, evitando seu rosto, como se olhar nos olhos pudesse revelar uma fragilidade que ambos tinham medo de encarar. Desde aquele dia em que quase se permitiram um beijo, ele preferia ficar nas sombras da distância, protegendo-se da intensidade que poderia explodir entre eles.

Ela, por sua vez, já não sentia nada — ou talvez sentisse demais, uma mistura confusa de dor e vazio que a deixava anestesiada. Enzo não era só frio; era um enigma distante, um homem que parecia ter se despido da humanidade, deixando para trás apenas uma sombra de si mesmo.

Quando tudo acabou, ela se levantou lentamente, como se cada movimento exigisse um esforço consciente, e foi até o banheiro. Lá, sob o chuveiro quente, ela se encolheu, abraçando as pernas com uma urgência silenciosa. As lágrimas começaram a rolar, misturando-se à água que caía sem parar, formando um véu líquido que escondia sua dor do mundo.

Dayse tinha o costume de tomar banhos bem quentes e longos depois do ato, uma tentativa desesperada de se sentir limpa, tanto por fora quanto por dentro.

Enzo, por outro lado, nunca se importara muito com esse ritual. Nunca tinha questionado por que ela demorava tanto no banho; talvez porque respeitava seu espaço ou porque não entendia a profundidade do que aquilo significava para ela.

Mas naquela noite, algo mudou. Ele entrou no banheiro e a viu lá, sentada sob o chuveiro, abraçando as pernas com uma força quase desesperada. Lágrimas escorriam pelo seu rosto, cada uma carregando um pedaço da sua alma machucada.

Naquela noite, algo diferente aconteceu. Ele entrou no banheiro e a viu sentada sob o chuveiro, abraçando as pernas com uma força desesperada. Ao vê-la ali, tão vulnerável, um aperto surgiu no seu peito — uma sensação estranha, quase desconhecida.

Capítulo 28 ― O Gesto Inesperado 1

Capítulo 28 ― O Gesto Inesperado 2

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