No dia seguinte, véspera da viagem, ela se arrumou com uma simplicidade que transbordava significado, com atenção aos detalhes. Não era um dia comum; era o último antes da partida de Enzo. O mundo ao seu redor parecia suspenso, como se o tempo hesitasse em avançar, respeitando a gravidade daquele momento.
Ela aguardou com uma ansiedade contida que ele chegasse, como de costume. Quando Enzo finalmente entrou no quarto, algo em seu olhar havia mudado — um cansaço disfarçado, talvez uma hesitação que nunca estivera ali antes, carregando o peso de inúmeras noites insones e pensamentos não ditos.
Era a última noite que passariam juntos antes da viagem. Enzo a beijou com a mesma intensidade da noite anterior, mas desta vez, não era apenas desejo que o movia. Havia algo mais profundo —algo que ele não nomeou e que ela não ousou interpretar.
Seus toques percorriam a pele dela com uma febril urgência, como se cada carícia fosse uma despedida, como se estivesse tentando gravar na memória cada detalhe do corpo dela.
O beijo começou suave, hesitante, mas logo se transformou em uma dança de emoções intensas. Seus toques traziam uma nova urgência — uma despedida silenciosa, como se quisesse deixar algo para trás antes de partir.
Quando se afastou, seus olhos estavam carregados de pensamentos e sentimentos nunca antes revelados. A atmosfera ao redor deles parecia eletrificada — o ar pulsava com emoções não ditas, promessas implícitas. Era como se cada respiração, cada olhar, carregasse um peso que ambos sentiam, mas nenhum ousava verbalizar.
— Você vai voltar? — perguntou ela, a voz suave, porém firme, ecoando na imensidão do espaço entre eles.
Ele franziu a testa, surpreso com a pergunta, como se não esperasse que ela ousasse verbalizar a dúvida que pairava no ar.
— Claro que vou voltar. Em seis meses, provavelmente... talvez menos — respondeu, tentando soar confiante, mas a incerteza em seus olhos denunciava que nem ele acreditava totalmente no que dizia.
— E se eu não estiver mais aqui quando você voltar? Sua voz vacilou por um instante, mas permaneceu firme o suficiente para que ele sentisse o peso daquelas palavras — cada sílaba carregada de uma angústia silenciosa.
Por um momento, Enzo apenas a observou, os olhos vasculhando o silêncio entre eles, como se buscasse respostas que sabia que não poderia dar.
— Você vai estar. A afirmação veio sem hesitação, sem espaço para dúvidas. Sua voz, cortante e impassível, carregava o peso de uma certeza que dispensava reafirmação.
— Sabe muito bem quais foram as condições do acordo… e o que significaria não as cumprir.
O tom calculado, quase impessoal, transformava as palavras em uma barreira intransponível. Naquele instante, não havia espaço para fragilidade — apenas a inevitabilidade de um destino traçado.
Dayse sentiu o peito apertar, uma sensação que parecia comprimir sua alma. Ela queria odiá-lo por sua frieza, por aquela barreira intransponível que ele erguera entre eles.
No entanto, algo dentro dela resistia a esse sentimento. Não podia negar que, nas últimas semanas, ele havia se mostrado um pouco mais humano, ainda que de maneira hesitante e quase imperceptível.
Mas...talvez fosse apenas sua mente pregando peças, desejando ardentemente algo que nunca existiu de fato.
― Boa sorte, Dayse ― ele disse, a voz carregando uma estranha formalidade e algo mais, algo que escapava à compreensão dela. Já estava de costas, prestes a sair, como se aquelas palavras fossem apenas uma formalidade vazia, desprovida de qualquer peso real.
― Então... boa viagem ― foi tudo o que ela conseguiu murmurar, a voz tão baixa que quase se perdeu no silêncio. Não houve aceno, nenhum gesto que pudesse preencher o espaço entre eles.
Mas, antes que ele cruzasse a porta, algo dentro dela se agitou — uma coragem frágil, quase desesperada.
— Você não vai ficar esta noite? ― A pergunta escapou, hesitante, mas carregada de algo mais profundo, algo que ela não ousava nomear.
Ele parou, a mão ainda na maçaneta, e virou-se lentamente.
— Você quer que eu fique? ― A voz dele saiu rouca, carregada de uma intensidade que tornou o ar ao redor dela mais denso.
— Ontem à noite não foi suficiente para você? Não ficou... satisfeita?
As palavras dele cortaram como uma lâmina, mas havia algo mais ali — uma camada oculta de significado que ela não sabia se era provocação ou apenas uma tentativa de esconder o que realmente sentia.
Dayse hesitou por um instante, o silêncio preenchendo o espaço entre eles como uma barreira invisível. Seu olhar, firme, trazia uma vulnerabilidade silenciosa, algo que palavras não poderiam expressar.
Seus dedos, trêmulos, começaram a desabotoar o vestido, peça por peça, deixando-o deslizar pelo corpo junto com a lingerie, como se estivesse se despindo não apenas das roupas, mas de algo mais profundo.
Ela se deitou na cama, os olhos presos em Enzo, e abriu as pernas lentamente, em um gesto que falava mais do que qualquer palavra poderia dizer.
Ele lutava contra a urgência que crescia em seu peito, tentando conter o impulso de se aproximar, enquanto ela, por dentro, sentia o mesmo fogo que tentava esconder.


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