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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 30

A notícia da partida de Enzo se espalhou como fogo em palha seca, rápida, impiedosa, consumindo tudo em seu caminho. Onde antes havia apenas inquietação, agora residia um desespero silencioso, misturado a uma esperança frágil e uma determinação que se recusava a ser apagada.

Ela ouvia sussurros dos empregados que comentavam sobre a partida de Enzo com uma mulher, seus pelos se arrepiaram ao ouvir.

― “O patrão foi viajar com aquela moça que estava no quarto de hóspedes” ― um falava.

Enquanto outro retrucava: ― “ele teve coragem de trazer a outra, com a esposa dormindo ao lado?”

O mundo de Dayse desmoronou. O chão sob seus pés já não existia.

A esperança — tênue, frágil, vacilante — evaporou antes mesmo de se tornar real.

Era como se tudo tivesse sido apenas uma ilusão, um vislumbre breve de algo que nunca lhe pertenceu.

E agora, só restava o vazio. Um vazio cortante, irreversível.

Dayse se sentia à deriva em um oceano revolto de dúvidas e medos. Não sabia para onde ele tinha ido, com quem ele tinha ido, nem se um dia retornaria. Apenas compreendia, no íntimo de sua alma, que precisava ser forte, mesmo que sua força fosse construída sobre incertezas.

Então, veio o som ... O motor do carro de Lorenzo irrompeu pela entrada da mansão como um trovão que rasga o céu antes da tempestade. Do quarto, ela ouviu e reconheceu a rotação inconfundível, um sinal inequívoco de que algo estava prestes a acontecer.

E quando o som da bengala de Lorenzo reverberou pelos corredores, foi como se a própria casa estremecesse — não porque era tocada, mas porque antecipava o impacto inevitável do que estava por vir.

Minutos depois, Luna apareceu, o semblante ainda mais fechado do que o habitual, como se carregasse o peso de algo que preferia não dizer.

— O senhor Lourenço vai falar com a equipe médica agora — anunciou, e, apesar de tentar manter a compostura, a voz traiu uma inquietação que oscilava entre ansiedade e urgência.

— Fique por perto, caso ele queira te chamar.

Dayse não respondeu. Apenas a seguiu em silêncio, seus passos medidos, posicionando-se à porta do corredor. Ao seu redor, a movimentação era caótica, mas havia uma ordem invisível na urgência — uma dança frenética guiada pelo medo e pela necessidade.

O ar carregava uma eletricidade quase tangível, como se cada respiração prenunciasse algo inevitável. A tensão pairava ali, densa, prestes a se partir como o céu antes da tempestade.

Funcionários atravessavam os corredores apressados, cada um carregando sua própria urgência, uma tensão silenciosa que se espalhava pelo ambiente como eletricidade prestes a se transformar em tempestade.

— Três meses! Três ciclos de espera e nada ainda! — A voz de Lorenzo reverberou pelas paredes, crua e implacável, golpeando o ar como um soco que ninguém poderia desviar.

Ele girou nos calcanhares, encarando a equipe médica com olhos faiscantes de impaciência e indignação.

— Façam o procedimento de inseminação, sedação, o que for necessário. Chega de desculpas!

Cada palavra veio afiada, cortante como uma lâmina que não admitia resistência.

A Dra. Isabella manteve a postura, seu olhar firme, sua voz suavizando o impacto do conflito que crescia diante dela.

— Com todo respeito, senhor Bellucci, o corpo dela já sinalizou falência orgânica parcial sob tentativa forçada. Se insistirmos, os riscos neurológicos e cardíacos podem ser irreversíveis.

Um instante de silêncio, curto demais para ser um recuo.

— E em que isso me importa? — Lorenzo explodiu, seu tom rasgando a tranquilidade artificial da sala. Seu rosto era um retrato de fúria contida, olhos ardendo como brasa.

— Eu comprei dela o direito de um herdeiro — rosnou — e não recebi nada além de despesas!

Outro médico, com um olhar mais compreensivo e voz ponderada, explicou em termos técnicos que qualquer procedimento invasivo naquele momento poderia resultar em um aborto espontâneo, caso a fecundação já tivesse ocorrido, mas ainda não fosse detectável.

As palavras dele ressoaram em um canto profundo da mente de Dayse, acendendo um lampejo de inquietação:

― “Eles têm medo de que já tenha acontecido?”

Lorenzo permaneceu imóvel por um instante, como se estivesse digerindo a informação, sua frustração se desenhando na rigidez de seus ombros e no olhar que oscilava entre incredulidade e exasperação.

Então, ergueu-se abruptamente, deu um passo para trás e soltou um suspiro profundo; um peso que escapou por seus lábios antes que pudesse ser contido.

— E agora, o que fazemos? — murmurou, quase inaudível, como se pela primeira vez admitisse que o controle lhe escapava por entre os dedos.

― Enzo viajou e sabe-se lá quando volta...

O silêncio que se instalou na sala não era vazio — era pesado, denso, palpável, como se o próprio ar estivesse impregnado da tensão inevitável de um momento à beira de se partir.

Lourenço girava a bengala entre os dedos, seu olhar fixo em algum ponto indefinido, perdido em ponderações silenciosas. O peso da decisão pairava sobre ele, e, por um instante, a tensão parecia quase tangível.

Então, subitamente, algo mudou. Seus olhos brilharam com uma determinação fria, uma certeza irredutível nascida do cálculo implacável.

— Por enquanto, não vamos fazer nada.

A declaração veio firme, definitiva, como se qualquer outra opção sequer existisse.

— A decisão sobre o que fazer com ela será tomada quando Enzo retornar.

Virou-se para a equipe médica, seu tom severo, sem espaço para questionamentos.

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