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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 31

Nas noites frias, Dayse se perguntava se havia mais alguém ali, além dela e das sombras que dançavam nas paredes imponentes. O tique-taque do relógio não marcava apenas o tempo; pulsava como uma provocação cruel, ecoando pelos corredores vazios, lembrando-a de cada segundo que passava sem mudança.

Nos primeiros dias após a partida de Enzo, os funcionários ainda perambulavam pela casa, mas se moviam como espectros, deslizando entre as tarefas sem um olhar, sem uma palavra. Era como se ela tivesse se tornado invisível — ou como se desejassem que fosse.

A volta do patriarca Lourenço e sua decisão de suspender todos os serviços na mansão só aumentaram a sensação de vazio — um vazio que ia além do confinamento físico. Não era apenas solidão. Era algo mais profundo, mais corrosivo... Uma sensação de abandono a envolvia por completo.

Sua mente, inquieta, vagava por cenários sombrios, imaginando o que de mais cruel poderia lhe acontecer caso a gravidez não se confirmasse. Afinal, o poço da desesperança parecia não ter fundo; sempre havia um degrau a mais para descer, uma nova profundidade a ser descoberta no abismo de sua angústia.

Poucos dias depois, Luna Vasquez entrou acompanhada de um médico. Ao vê-los, Dayse recuou instintivamente, sentindo a impotência voltar com toda a força.

— O senhor Bellucci quer garantir que tudo esteja em ordem — anunciou Luna, sem qualquer vestígio de hesitação.

― “Lourenço não tinha impedido qualquer gasto extra com ela?” ― Dayse buscou os olhos de Luna, à procura de algo que esclarecesse a situação, mas encontrou nada.

O exame transcorreu em silêncio — sem palavras desnecessárias, sem explicações. Ao final, o médico entregou-lhe uma receita.

— Esses remédios vão ajudar você a se sentir melhor... depois.

O comentário ficou no ar, sem explicação. Dayse queria perguntar do que ele estava falando —"melhor depois do quê?" — mas sabia que qualquer indagação seria inútil.

— Tome os remédios que o médico receitou — ordenou.

Horas depois, Luna voltou — os passos suaves no mármore ecoavam pela vastidão do espaço. Nas mãos, uma sacola com remédios.

— Tome os remédios que o médico receitou — ordenou, a voz fria, sem espaço para discussões.

Dayse pegou o frasco de comprimidos da mesa, os dedos trêmulos. Pequenos. Brancos. Aparentemente inofensivos.

Luna já segurava um copo d’água, os dedos apertando o vidro com força. Dayse percebeu e manteve o olhar fixo nas pílulas que segurava. O que aconteceria se ela não as tomasse?

— Tome. A ordem soou diferente dessa vez. Não era apenas frieza. Havia uma expectativa, uma presença no silêncio entre elas.

Dayse os engoliu, um a um.

— Um a mais, um a menos… que diferença faz? — murmurou.

O gosto amargo se espalhou pela boca, impregnando-se como uma marca impossível de apagar.

A sala parecia se fechar ao seu redor, mas ela não se importou. Cada comprimido era um grão de areia no vasto deserto de sua indiferença.

― Ótimo ― Luna hesitou, mas logo se recompôs.

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