Luna permaneceu em silêncio por um instante, como se as palavras da governanta tivessem congelado o ar ao seu redor. Seus lábios se comprimiram lentamente, formando uma linha rígida.
Quando finalmente falou, sua voz era tão baixa e áspera que parecia prestes a se desfazer:
— Manchas... nos lençóis?
— Sim, senhora. E em algumas peças de roupa íntima também.
Luna desviou o olhar, fixando-o em um ponto distante, como se buscasse respostas no vazio. Quando voltou a falar, sua voz carregava um peso que parecia maior do que ela mesma:
— Não há outra explicação, não é? Só pode ser o que estamos pensando... menstruação.
A governanta não respondeu de imediato, mas o leve inclinar de sua cabeça foi suficiente. A confirmação pairou no ar, tão inevitável quanto a tempestade que se aproximava.
Luna respirou fundo, tentando manter a compostura. Com as mãos trêmulas, pegou o celular e digitou, palavra por palavra, com uma precisão quase dolorosa:
"ciclo menstrual foi confirmado. Sem sinal de gravidez."
A resposta de Lourenço Bellucci não tardou. Em menos de cinco minutos, a mensagem chegou, fria e cortante como uma lâmina:
"Cancele tudo. Deixe-a sozinha na mansão até o fim do contrato. Vamos substituí-la quando Enzo voltar."
Luna mal teve tempo de processar o impacto antes que outra mensagem surgisse na tela, ainda mais implacável, sem espaço para apelos ou hesitações:
"Se ela não aceitar, cobre judicialmente a devolução total, incluindo o dinheiro pago aos pais."
Ela encarou a tela em silêncio, sentindo o peso esmagador daquela sentença fria e definitiva. O vazio que se instalava em seu peito parecia tão vasto quanto o céu antes da tempestade.
Horas depois, Dayse ouviu barulhos estranhos ecoando pela casa. Pessoas recolhiam objetos, carregavam caixas, e as portas abriam e fechavam incessantemente. Aquela não era a rotina habitual da mansão; algo estava se desfazendo, e isso apertava seu coração com uma angústia crescente.
Mesmo se sentindo fraca após a noite difícil, ela se vestiu e desceu a escada central, cada passo mais pesado que o anterior.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou Dayse com seriedade, a voz carregada de preocupação.
Luna apareceu — impecável, como sempre.
Seu rosto era neutro, uma máscara impenetrável. Sua postura exalava controle absoluto, cada gesto calculado. Mas nos olhos, havia um brilho diferente — algo indecifrável, inquietante.
E nos lábios, uma sentença prestes a ser pronunciada...
Com um olhar severo, ela ergueu as roupas íntimas de Dayse, expondo-as como uma evidência incontestável. O tecido, revirado e examinado pela governanta, denunciava a verdade que agora não poderia mais ser evitada.
— Então é isso — declarou, sua voz carregada de algo indefinível, um misto de decepção e alívio. — Sua menstruação não passou despercebida. A governanta informou que houve sangramento também nos lençóis.
― Você confirma?
O silêncio na sala parecia crescer, sufocante, enquanto as palavras pairavam no ar como um julgamento irrevogável. O rosto de Dayse ardeu em um misto de vergonha e incredulidade. Sentiu o peso do olhar que a encarava, a acusação silenciosa que se impregnava em sua pele como ferro em brasa.
— Não há mais dúvida, então — continuou cruzando os braços — terceira tentativa e você não engravidou, no fim, você não passa de uma fraude...
Dayse sentiu o rosto arder, não apenas pelo constrangimento, mas pela forma como tudo estava sendo tratado. Engoliu em seco, lutando para encontrar algo a dizer.
— Eu... eu não sei o que dizer e... não tenho certeza se é menstruação — murmurou.
A outra mulher soltou um suspiro breve, quase impaciente.
— Nem nós. Mas para que não reste qualquer dúvida: aqui está um teste de farmácia, vá ao banheiro e faça.
A humilhação queimou como ácido em sua alma, deixando uma marca profunda, um lembrete cruel de sua vulnerabilidade. O chão sob seus pés parecia instável, como se toda sua existência naquele lugar pudesse se desmanchar a qualquer momento.
Dayse retornou com a fita do teste: negativo
— Você parece ter entrado em um novo ciclo — disse Luna, com uma entonação que oscilava entre a certeza e o sarcasmo.
— Isso confirma, por enquanto, a ausência de gestação.
O silêncio que se seguiu pareceu mais pesado do que antes. E, com ele, veio a certeza de que tudo mudaria — mas não da forma que Dayse imaginou. Seus braços se cruzaram como um escudo, enquanto seu olhar vagava para um ponto indefinido, perdido em um horizonte que só ela podia enxergar.

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