No início, foi apenas um mal-estar matinal, uma leve tontura ao se levantar da cama. Depois, vieram a sensibilidade a certos cheiros e os enjoos inesperados que a obrigavam a recusar comida.
No segundo mês, porém, algo mudou. Ela percebeu que seu ciclo estava atrasado. Contou os dias repetidamente e, a cada novo cálculo, o medo crescia. O que aquilo significava? Será que finalmente engravidou? Eles não tiveram paciência para esperar a confirmação e se precipitaram.
Seu coração disparou. Se estivesse realmente grávida, a secretária ficaria furiosa. Dayse tinha quase certeza que os últimos remédios que Luna lhe dera eram abortivos... pousou as mãos sobre o ventre, sentindo uma emoção inexplicável.
Mas a felicidade foi efêmera. Dayse continuava a se perguntar: se o bebê ficasse com Enzo, ele se tornaria um homem tão frio quanto o pai? Ela não podia permitir isso. Agora, mais do que nunca, precisava sair dali. Sua mão pousou sobre o ventre ainda plano, e uma onda de emoção a envolveu.
Pela primeira vez desde que pisou naquela casa, um sentimento genuíno cresceu dentro dela. Não importava como Enzo reagiria; aquele bebê era dela, só dela.
Os meses se arrastaram na solidão absoluta. No início, sentia-se sufocada pela ausência de pessoas na casa e pela opressão silenciosa da mansão vazia.
Gradualmente, ela começou a apreciar as pequenas liberdades que ainda tinha. Cuidava da casa da melhor forma possível e passava os dias em breves caminhadas entre o quarto, o corredor e o quartinho de serviços. Nesse pequeno espaço, havia uma cozinha modesta onde ela preparava os chás que encontrava esquecidos nos armários.
Pela manhã, deixava-se banhar pelo sol que entrava pela janela do quarto, e ao final da tarde, aproveitava os raios que se infiltravam pelas frestas das janelas da área de serviço. Esses momentos de luz eram um consolo mínimo, mas precioso, em meio ao vazio que preenchia a casa.
Então, pouco a pouco, as mudanças começaram. Seu corpo estava ficando mais pesado; sua energia diminuía. Sua barriga começava a despontar, revelando um segredo impossível de esconder. O medo tomou conta dela. Como fugiria? Para onde iria? Não tinha família; não tinha amigos. Apenas aquele bebê dentro dela. Ele era tudo o que ela tinha.
Cinco meses se passaram desde o início do confinamento. Dayse continuava marcando na parede do corredor um risco para cada dia que passava naquela prisão. Tornou-se um hábito que ao mesmo tempo a distraía.
A mansão permanecia silenciosa, intacta em sua opulência sufocante. Mas o corpo de Dayse já não podia mais ser ignorado. Sua barriga crescia, curvada, firme e redonda, como uma verdade que se recusava a ser negada. Não era mais dúvida, não era mais instinto. Era vida.
Nos últimos dois meses, ela havia desenvolvido uma sensibilidade aguçada para os movimentos internos. Sentia cada vez que o bebê se mexia, cada espreguiçar contra as paredes do seu ventre. Ele se movia intensamente, ora para um lado, ora para o outro, com pontadas que pareciam vir de todos os cantos.
Às vezes, Dayse colocava as mãos sobre a barriga e sorria sem perceber.
― Você não pertence a eles ― murmurava para si mesma e para o bebê.
― Você é só meu, e eu vou te proteger de tudo isso.
Ela começou a recolher lençóis, frascos de vidro e roupas térmicas, escondendo tudo no fundo do armário, entre as mantas. Um plano se formava em silêncio: fugir antes do parto, esconder o bebê, mantê-lo fora do alcance dele, do nome Bellucci.
Ela ainda não sabia como, mas sabia que precisava acontecer. Porque o que viria depois não seria mais resistência, seria guerra.
Naquela noite, ao sentir o bebê mexer forte, ela falou em voz alta, com uma determinação que ecoava em cada palavra:
― Eu vou tirar você daqui, mesmo que custe o pouco que me resta. Mesmo que eu tenha que caminhar com os pés rasgados, você não nascerá prisioneiro.
No caderno, escreveu:
Mês 6. Confirmado por mim, pelas dores, pela fome, pelos chutes. A barriga cresce rápido, o tempo corre. Eles pensam que fracassei, mas sou eu quem guarda o maior segredo desta casa. Não darei meu filho a esta família. Vou libertá-lo do nome Bellucci, custe o que custar, mesmo que seja com sangue.
Fechou o caderno e, pela primeira vez, não apagou a luz. Ficou ali, de olhos abertos, aguardando o amanhecer. Porque agora, ela não era apenas mulher, nem apenas prisioneira. Era mãe. E mãe não espera para reagir. Mãe age.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Pele Que o CEO Não Esqueceu