A expressão de Luna era um mosaico de emoções conflitantes ― espanto, incredulidade, e um pânico que ela lutava para conter. Era como se cada fibra de seu ser estivesse tentando compreender o impossível.
O silêncio entre as duas parecia uma entidade viva, pulsante, carregada de tensão. Apenas o som irregular de suas respirações preenchia o espaço, como se o ar ao redor estivesse pesado demais para ser rompido por palavras.
— Meu Deus... — sussurrou, virando-se rapidamente.
— Você esta... — Luna gaguejou. — Você... estava grávida?
Ela deu um passo para trás, claramente abalada, como se a revelação fosse uma onda invisível que a atingira com força. Seus olhos, arregalados, refletiam um misto de choque e algo mais profundo, algo que parecia se enraizar em um abismo de emoções não ditas.
— Preciso avisar os Bellucci... agora.
E, sem pensar duas vezes, virou-se e saiu do quarto apressada, os dedos apertando o celular com tanta força que os nós ficavam brancos. Cada movimento seu era rápido, decidido, quase feroz.
Dayse sentiu o estômago se contorcer, como se a sentença tivesse sido cravada em sua pele. Era o fim e ela sabia disso.
Com mãos trêmulas, mas movidas pelo desespero visceral da maternidade, ela correu até os três bebês, cada um envolto em panos frágeis. Beijou a testa de cada um, sentindo o coração se partir em três pedaços distintos, mas igualmente dolorosos.
Pegou um pedaço de papel, os dedos vacilantes, mas a mente afiada, clara como uma lâmina, guiada pela urgência de quem escreve uma promessa que carrega o peso de uma vida.
"Confio em você. Leve os três. Proteja-os como se fossem seus. Assim que eu conseguir sair daqui eu vou atrás de vocês. Prometo."
Dobrou o bilhete com cuidado, quase como se cada vinco carregasse um fragmento de sua alma.
Em seguida, colocou o bilhete junto com os bebês e os cobriu, ajustando o cobertor azul ao redor deles com uma precisão quase ritualística, como se cada dobra pudesse erguê-los contra as crueldades do mundo.
Correu para o elevador de serviço, o coração disparava como se quisesse escapar do peito, enquanto o chão parecia pulsar sob seus pés, vibrando com uma intensidade que só ela sentia.
Com as mãos trêmulas e a precisão que o desespero permitia, colocou a bandeja com os bebês dentro do elevador. Cobriu-os com uma delicadeza quase ritualística, como se o gesto pudesse protegê-los de algo maior.
Prendeu o bilhete com uma firmeza que contrastava com a fragilidade do momento, trancou a porta e apertou o botão para descer.
Silêncio. A única coisa que se ouvia agora era o choro do bebê que ficou.
O mais vulnerável. O que ainda buscava o calor de seu corpo, o alimento de seu peito.
Aquele que ela não conseguiu proteger e que provavelmente seria tirado dela.
Ela o abraçou e então… desabou no chão, sem lágrimas, pois a dor era profunda demais para isso.
No andar de baixo, R. encontrou o cobertor azul. Sob ele, três pequenos corpos estavam aninhados, envoltos pelo calor de um cuidado desesperado, o tipo de amor que só uma mãe em guerra poderia oferecer. O bilhete, preso com uma firmeza que desafiava o tremor das mãos que o escreveram, carregava palavras simples, mas carregadas de uma urgência que cortava o ar.
"R., confio em você. Leve os três. Proteja-os como se fossem seus. Assim que eu conseguir sair daqui, vou atrás de vocês. Prometo."
Ele leu apenas uma vez. Não precisou de mais. Cada palavra cravava-se em sua mente como um juramento silencioso. Não houve hesitação, nem espaço para dúvidas. A missão era clara: salvar aquelas vidas. E ele sabia, com uma certeza que queimava no peito, que cumpriria aquela promessa, custasse o que custasse.

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