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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 41

A expressão de Luna era um mosaico de emoções conflitantes ― espanto, incredulidade, e um pânico que ela lutava para conter. Era como se cada fibra de seu ser estivesse tentando compreender o impossível.

O silêncio entre as duas parecia uma entidade viva, pulsante, carregada de tensão. Apenas o som irregular de suas respirações preenchia o espaço, como se o ar ao redor estivesse pesado demais para ser rompido por palavras.

— Meu Deus... — sussurrou, virando-se rapidamente.

— Você esta... — Luna gaguejou. — Você... estava grávida?

Ela deu um passo para trás, claramente abalada, como se a revelação fosse uma onda invisível que a atingira com força. Seus olhos, arregalados, refletiam um misto de choque e algo mais profundo, algo que parecia se enraizar em um abismo de emoções não ditas.

— Preciso avisar os Bellucci... agora.

E, sem pensar duas vezes, virou-se e saiu do quarto apressada, os dedos apertando o celular com tanta força que os nós ficavam brancos. Cada movimento seu era rápido, decidido, quase feroz.

Dayse sentiu o estômago se contorcer, como se a sentença tivesse sido cravada em sua pele. Era o fim e ela sabia disso.

Com mãos trêmulas, mas movidas pelo desespero visceral da maternidade, ela correu até os três bebês, cada um envolto em panos frágeis. Beijou a testa de cada um, sentindo o coração se partir em três pedaços distintos, mas igualmente dolorosos.

Pegou um pedaço de papel, os dedos vacilantes, mas a mente afiada, clara como uma lâmina, guiada pela urgência de quem escreve uma promessa que carrega o peso de uma vida.

"Confio em você. Leve os três. Proteja-os como se fossem seus. Assim que eu conseguir sair daqui eu vou atrás de vocês. Prometo."

Dobrou o bilhete com cuidado, quase como se cada vinco carregasse um fragmento de sua alma.

Em seguida, colocou o bilhete junto com os bebês e os cobriu, ajustando o cobertor azul ao redor deles com uma precisão quase ritualística, como se cada dobra pudesse erguê-los contra as crueldades do mundo.

Correu para o elevador de serviço, o coração disparava como se quisesse escapar do peito, enquanto o chão parecia pulsar sob seus pés, vibrando com uma intensidade que só ela sentia.

Com as mãos trêmulas e a precisão que o desespero permitia, colocou a bandeja com os bebês dentro do elevador. Cobriu-os com uma delicadeza quase ritualística, como se o gesto pudesse protegê-los de algo maior.

Prendeu o bilhete com uma firmeza que contrastava com a fragilidade do momento, trancou a porta e apertou o botão para descer.

Silêncio. A única coisa que se ouvia agora era o choro do bebê que ficou.

O mais vulnerável. O que ainda buscava o calor de seu corpo, o alimento de seu peito.

Aquele que ela não conseguiu proteger e que provavelmente seria tirado dela.

Ela o abraçou e então… desabou no chão, sem lágrimas, pois a dor era profunda demais para isso.

No andar de baixo, R. encontrou o cobertor azul. Sob ele, três pequenos corpos estavam aninhados, envoltos pelo calor de um cuidado desesperado, o tipo de amor que só uma mãe em guerra poderia oferecer. O bilhete, preso com uma firmeza que desafiava o tremor das mãos que o escreveram, carregava palavras simples, mas carregadas de uma urgência que cortava o ar.

"R., confio em você. Leve os três. Proteja-os como se fossem seus. Assim que eu conseguir sair daqui, vou atrás de vocês. Prometo."

Ele leu apenas uma vez. Não precisou de mais. Cada palavra cravava-se em sua mente como um juramento silencioso. Não houve hesitação, nem espaço para dúvidas. A missão era clara: salvar aquelas vidas. E ele sabia, com uma certeza que queimava no peito, que cumpriria aquela promessa, custasse o que custasse.

No quarto, onde o silêncio parecia ecoar os resquícios do choro abafado. Dayse, com o corpo febril, segurava o bebê frágil junto ao peito, como se o calor do seu colo pudesse protegê-lo de um mundo que parecia desmoronar.

Na última página do caderno, com as mãos trêmulas, Dayse escreveu: “Escolhi fugir. Escolhi lutar. E agora… não terei mais escolha. Três estão a salvo. Um está aqui comigo, e vou fazer o que for possível para protegê-lo também, porque todos… são meus.”

Ela parou, respirou fundo, sentindo o ar pesado como se carregasse o peso de todas as decisões que a vida lhe impusera. Seus olhos se voltaram para o filho adormecido em seus braços, tão pequeno, tão vulnerável, e, ainda assim, a razão de sua força. Com o coração dividido em quatro partes, Dayse sentia que uma delas poderia ser arrancada dela a qualquer momento.

Os Bellucci vão pensar que me venceram. Mas eles só encontraram uma mulher com um bebê. O que eles não sabem e nunca saberão é que por trás deste … existem mais três.

“E agora... agora não terei mais escolha a não ser entregar meu filho...”

Seus Quatro Segredos seriam guardados a sete chaves. Quatro vidas que nasceram do desprezo de um homem frio, incapaz de demonstrar amor...”

Dayse escrevia com cada fibra de seu ser, com o peso de uma alma que carregava mais do que palavras. Ela guardava a história em silêncio, como quem protege uma chama em meio à tempestade, porque sabia que o fim ainda não havia chegado.

Mas ele viria.

E quando viesse, ela estaria pronta. Não como uma vítima, mas como uma força que ninguém poderia deter.

Na solidão daquele quarto, que agora mais lembrava uma cela, ela sentiu o peso esmagador da maternidade. O preço era alto, cruel, e a deixava despida de qualquer ilusão de controle.

Não estava vencida. Não ainda. Porque, mesmo em meio ao caos, havia algo indomável nela, algo que se recusava a ceder.

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