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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 49

"Silenciaram meu nome, mas esqueceram que raízes crescem no escuro.

Quando eu florescer, não haverá lugar seguro para quem tentou me enterrar."

— Do diário de D.

...

O recomeço de Dayse, mesmo silencioso, carregava o peso pesado de tudo que ficou para trás. Não havia despedidas, apenas a pressa de seguir em frente, como quem foge de um incêndio invisível.

Na casa de Renata, a rotina se tornava quase um ritual de sobrevivência: o aroma do café quentinho pela manhã, as trocas rápidas de fraldas feitas com agilidade instintiva, os silêncios compartilhados na varanda, sentada na rede, e o som rouco e nostálgico de um rádio antigo preenchendo os intervalos entre os choros dos bebês.

Os chorinhos espaçados davam ritmo ao dia, mostrando que ali ainda havia vida. O calor dos três corpos pequenos dormindo perto dela era mais do que conforto — era um lembrete concreto de que, apesar de tudo, ela ainda tinha algo a proteger. Algo que dava sentido à sua existência.

Dayse mantinha as janelas sempre fechadas, as luzes baixas e os documentos guardados com cuidado quase obsessivo, sabendo que não podia se arriscar a ser descoberta.

As roupas eram discretas, os passos leves. Cada movimento dela era feito com o cuidado de quem vive à beira de um abismo. E, entre aquelas paredes simples, ela começava a sentir que podia, enfim, respirar.

Renata, sempre firme e discreta, era o alicerce invisível que sustentava tudo. Observadora silenciosa, cuidava dos bebês com um carinho que ia além da ternura — vinha de uma ferida antiga, de um amor que já conhecera a perda.

Ela também cuidava da Dayse. Não com palavras doces ou gestos grandiosos, mas com uma presença que, sem precisar ser verbalizada, dizia:

— “Estou aqui, mesmo quando você não puder estar por si mesma.”

Numa tarde abafada, sob um céu opaco e sufocante, Renata apareceu na porta da sala.

Com uma sacola de compras numa mão e um envelope na outra.

— Chegou uma correspondência... para você, Dayse — anunciou Renata, tentando manter o tom neutro, mas havia algo ali... uma hesitação, uma preocupação escondida na pausa entre as palavras.

Estava na caixa de correios, sem remetente.

Dayse congelou. Uma onda de frio percorreu sua espinha, cortante e insistente.

Ninguém sabia onde ela estava. Ou será que sabiam?

Suas mãos se cerraram lentamente, tentando controlar o tremor que ameaçava escapar. O envelope era simples, branco, com a dobra um pouco amassada, como se tivesse sido manuseado às pressas. Como se aquela mensagem fosse uma urgência, e não um descuido.

Ela passou os dedos pela borda do papel, rasgando um pouco a lateral.

Dentro, havia apenas um cartão.

Uma única frase.

Com uma caligrafia inclinada, precisa e implacável:

"Se você acha que está segura, ainda não entendeu como os Bellucci jogam."

Por um instante, o mundo pareceu girar fora do eixo. O ar ficou pesado, quase sufocante.

Renata observava tudo em silêncio, imóvel.

E, naquele momento, Dayse soube — sem precisar de explicações — que sua liberdade nunca foi verdadeira.

Seu coração pulsava forte, como o som de um tambor de guerra. Cada batida parecia reverberar dentro dela, como um aviso inevitável de que algo grande estava por acontecer.

Na mesa, o bilhete parecia quase vivo, como se carregasse uma presença invisível — uma ameaça que pairava no ar, silenciosa e inquietante.

Capítulo 49 ― O Recomeço Longe do Nome Bellucci 1

Capítulo 49 ― O Recomeço Longe do Nome Bellucci 2

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