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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 54

"Algumas raízes não se veem — crescem no silêncio da dor, na terra escura do abandono, até se tornarem tronco, floresta, império. E quando retornam ao solo de origem, não pedem licença: reivindicam o que é seu por direito e por cicatriz."

— De quem precisou ir longe para se reencontrar inteira.

...

O tempo. Ah, o tempo! Esse artista silencioso e sutil, que não se deixa ver, mas cujas mãos invisíveis moldam nossa existência com delicadeza e rigor.

Na Croácia, ele não foi apenas um mensageiro dos dias, mas um escultor paciente, que, com carícias quase imperceptíveis, converteu as dores mais profundas em lembranças vívidas, transformando traumas em fontes inquebrantáveis de força e resistência.

Para Dayse, o tempo foi um mestre severo e gentil ao mesmo tempo, um guia que lhe ensinou lições que só a passagem dos dias pode revelar. Ela descobriu que a distância, longe de ser apenas ausência, era um espaço sagrado onde a alma podia se recompor, onde as feridas abertas encontravam o respiro necessário para cicatrizar, ainda que lentamente, ainda que com cicatrizes que jamais desapareceriam.

E assim, pouco a pouco, a vida tornou-se possível novamente. Aquela jovem de dezoito anos, perdida em silêncios e abandonos, já não existia mais. Em seu lugar, emergia uma mulher forjada na adversidade, uma voz nova e pulsante, guiada por uma causa que lhe conferia uma coragem inédita.

Dayse resgatou o nome Lancaster, o único fio que ainda a ligava a um passado quase apagado da memória.

Até os seis anos, aquele nome lhe pertencia, antes de ser deixada num orfanato por pais cujas faces eram sombras quase esquecidas. Mesmo sem memórias nítidas, havia algo naquele nome que pulsava dentro dela — um fragmento de identidade que se recusava a ser abandonado. Ela não os acusava pelo abandono; não conhecia os motivos que os levaram a deixá-la para trás.

Agora, depois de atravessar tempestades internas e se reinventar inúmeras vezes, Dayse não apenas sobrevivia. Ela estava pronta para enfrentar o mundo, armada com tudo o que aprendeu, transformando cada cicatriz em uma fortaleza. Lancaster não era apenas um nome; era uma declaração, um renascimento, uma promessa.

Seus trigêmeos, às portas da adolescência, eram a expressão mais pura da liberdade que ela conquistara a duras penas. Cresceram longe das correntes sufocantes das aparências, longe do jogo implacável de poder que envolvia heranças e linhagens. Nunca precisaram carregar o peso das expectativas alheias — e isso os tornava verdadeiramente livres.

Cada um brilhava do seu jeito, com personalidades vibrantes e cheias de coragem, ocupando seu espaço no mundo com uma energia quase inesgotável.

Dante, com sua sede insaciável por justiça, mergulhava no mundo como quem busca as peças perdidas da própria história.

Gael era o caos transformado em arte. Seu skate era uma extensão do corpo, as línguas estrangeiras, aprendidas com uma facilidade quase mágica. Destemido e às vezes imprudente, ele não aceitava um não como resposta definitiva.

E Noah... Ah, Noah! Ele era pura poesia encarnada. De todos, era o que parecia sentir o mundo com mais intensidade, suas palavras traziam calma, e seus silêncios diziam mais do que muitos discursos longos. Era o elo invisível entre os irmãos, a bússola emocional da casa.

Eles cresceram com asas — com um chão firme sob os pés e um céu que se estendia ilimitado. Tudo isso porque a mãe deles — uma gigante disfarçada de mulher — sempre fora a maior inspiração e força dessa história, a coragem que rompeu correntes que ninguém ousava questionar.

Dayse, com um brilho indomável nos olhos e segurando seu diploma, formou-se com honras numa das universidades mais renomadas da Europa. Ao seu lado, Renata, amiga e parceira fiel, compartilhava seu sonho que, embora pequeno no início, carregava ambições profundas e significativas.

A Lancaster Holdings não foi apenas uma startup; foi um grito corajoso contra tudo que tentou sufocá-las. Nasceu despretensiosa, mas com um coração pulsante de inovação tecnológica e responsabilidade social, uma busca ética por causar impacto verdadeiro, fazendo diferente do que já havia sido feito.

Ao lado delas, Mateo, namorado de Renata, era o cérebro inquieto, o braço técnico que trouxe soluções capazes de transformar cidades e vidas inteiras. Juntos, formavam um trio improvável, mas imbatível.

O que começou como uma semente tornou-se uma floresta. A Lancaster Holdings cresceu, expandiu fronteiras e se firmou como referência internacional, investindo em tecnologias sustentáveis, promovendo a inclusão feminina e criando parcerias que ultrapassavam o lucro, buscando um impacto real na sociedade.

Com o tempo, receberam reconhecimento, prêmios, convites e respeito.

Uma década passou, tempo suficiente para reconstruir memórias e transformar feridas em força.

E assim como um sussurro que atravessa o tempo, o Brasil chamou novamente.

Dayse estava sentada diante da grande janela da cobertura em Split, observando os filhos brincarem sob o último sol da tarde. Gael e Noah disputavam uma partida improvisada de futebol, enquanto Dante, fiel a si mesmo, lia em seu canto favorito — uma poltrona próxima à estante.

O mundo parecia em paz, mas dentro dela, as ondas estavam em rebuliço.

Segurava um envelope simples, branco, elegante, com um selo prateado: Lancaster Holdings – Unidade Brasil.

Por trás daquele papel, um desafio estratégico de peso: restauração ambiental, engenharia civil sustentável, infraestrutura em regiões críticas — setores dominados pela família Bellucci.

Capítulo 54 — Uma Década de Raízes 1

Capítulo 54 — Uma Década de Raízes 2

Capítulo 54 — Uma Década de Raízes 3

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