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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 65

“Há coisas que nunca saberemos explicar. E são essas que mais importam.” — Clarice Lispector

...

O shopping estava animado, com o som das conversas se misturando de forma natural com a suave música ambiente. Dayse caminhava tranquilamente ao lado dos três filhos, aproveitando uma rara tarde de lazer. Era um momento simples, mas que tinha um valor imenso.

Ela estava prestes a perguntar às crianças o que eles queriam comer no almoço, quando sentiu o coração parar por um instante.

Do outro lado do corredor, um garoto caminhava com uma postura confiante, ombros erguidos e um olhar atento, como se estivesse registrando tudo ao redor. Um segurança o acompanhava alguns passos atrás, discreto, mas sempre presente — algo presente na vida dele desde a infância.

Nada na aparência do garoto era chamativo ou ostensivo, mas havia algo irresistivelmente magnético na maneira como ele ocupava o espaço. Ainda jovem, seu jeito de caminhar carregava uma maturidade antiga, quase como se fosse herdada. Ele não carregava apenas o nome: tinha o sobrenome Bellucci, e junto dele vinham as expectativas, as regras, as exigências.

Dayse ficou parada ali, mas por dentro tudo parecia se mover em um ritmo diferente.

Ela não precisava olhar diretamente para ele para saber. Não era preciso.

Um gesto suave, o traço do rosto dele, a forma como apoiava o braço ao caminhar — era suficiente para ela entender tudo.

Ela soube como só uma mãe sabe: como se o corpo falasse antes da mente, como se aquele momento atravessasse tudo — tempo, distância, silêncios.

“A maternidade é um vínculo que nem o tempo, nem o silêncio, conseguem desatar.” — Diário de D.

O mundo lá fora continuava seu curso normalmente. Mas, para Dayse, o tempo parecia ter parado ali.

E entre os batimentos apressados do peito, uma certeza brotava:

Ali estava ele. Seu filho. Crescido. Forte. Inatingível. Tinha a mesma beleza dos irmãos.

Ele era exatamente como ela o imaginou. Mas ver Theo em carne e osso, caminhando a poucos metros, com aquele jeito contido e sereno, foi mais do que ela podia suportar.

E embora ela tivesse ensaiado mil vezes o que sentiria ao vê-lo... nada poderia prepará-la para esse momento.

O ar parecia mais denso, como se cada respiração exigisse esforço. O coração de Dayse batia tão forte que chegava a doer, impulsionado pelo choque e por uma emoção que não encontrava nome.

Noah quebrou o silêncio, a voz embargada pela certeza súbita:

― Mãe... é... é ele!

Dante e Gael se viraram ao mesmo tempo. Suas reações foram quase idênticas: os olhos arregalados, as pupilas dilatadas.

Era como se eles estivessem diante de um espelho, vendo um reflexo de si mesmos.

Theo seguiu seu caminho sem perceber nada. Estava completamente alheio à onda de emoções que se formava a poucos metros de distância.

Ele não tinha ideia do que acontecia ali.

Dante engoliu em seco. Gael apertou os punhos, como se toda a emoção acumulada fosse explodir de uma hora para a outra.

Havia uma força invisível, um ímã que os puxava, algo que os atraía.

— Precisamos falar com ele — disse Gael, com os olhos fixos e a voz carregada de urgência.

Mas Dayse reagiu com uma força inesperada:

— Não! Ainda não... não podemos assustá-lo.

Sua voz cortou o silêncio, não por raiva, mas por instinto. Um grito silencioso de proteção, de medo, de algo que ainda não estava pronto para vir à tona.

Porque, às vezes, reencontrar alguém não é só olhar nos olhos.

É abrir uma ferida que nunca cicatrizou.

“A proteção tem um preço. Às vezes, ele se chama silêncio. Às vezes, se chama culpa.” — Diário de D.

Os três recuaram, chocados. A voz dela ressoou mais alto do que deveria, atraindo olhares ao redor. Mas o que realmente a feriu foi a maneira como os filhos a olharam depois: confusos, frustrados... feridos.

— Mas mãe… — Dante começou, hesitante, a voz embargada. — Ele está ali. Como… como a gente vai deixar que ele vá embora assim?

Eles a encararam, confusos e frustrados, procurando por alguma resposta além daquela negativa tão repentina. No olhar deles, dava para perceber a determinação, uma força que não podia ser ignorada. Mas tinha mais coisa ali.

Havia medo. Uma sensação quase primal, um peso invisível que ela não conseguia simplesmente afastar.

Aquela pergunta ficou no ar, carregada de uma urgência difícil de ignorar. Mas o medo, a necessidade de proteger e as marcas do passado estavam ali dentro dela, gritando.

Dayse sentiu o peito apertar, os olhos arderem. Queria dizer a verdade na hora, puxar todo mundo para perto e explicar tudo de uma vez.

Mas sabia que não podia.

Não naquele momento.

Respirou fundo, tentando se segurar.

Buscou alguma força dentro de si mesma.

— Não é tão simples — ela disse com um tom mais suave, embora o peso da decisão já estivesse sobre eles.

Os meninos trocavam olhares entre si, claramente frustrados. Mas Dayse sabia que precisava manter sua postura, mesmo que isso significasse enfrentar aquela tempestade de emoções que se formava diante dela.

Gael, com a calma de quem sabe que as palavras podem ser armas silenciosas, se adiantou:

— Mãe… por favor. Precisamos fazer contato. Dizer que somos seus irmãos. Perguntar se ele sabe da gente.

Dante completou, mais ríspido, com a voz embargada:

— E tentar entender por que fomos separados, por que ele está aqui agora… e nós não, como se parte de nós tivesse ficado perdida pelo caminho.

O silêncio que seguiu suas palavras pareceu se alongar, como um véu cobrindo tudo entre eles.

Dayse encarou os filhos.

E, por dentro, sentiu o peso da escolha que fizera anos atrás esmagá-la com violência renovada.

“Criei meus filhos com amor e com medo. Mas o medo, às vezes, nos ensina a esconder o amor atrás de muros altos demais.” — Diário de D.

Ela os criou para serem fortes.

Mas naquele instante, sentiu que estava roubando deles o direito de entender quem eram.

Suas palavras saíram como um sopro contido:

— Ainda não...

O sussurro tinha mais força do que um grito.

— Por favor, me ouçam... eu imploro.

O silêncio que tomou conta do ambiente não era vazio. Era pesado, carregado de tudo aquilo que ainda não podia ser dito. Mas será que esse silêncio conseguiria durar muito tempo?

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