Clarice foi levada para uma suíte VIP do hospital. Ainda sob o efeito da anestesia, flutuava em um estado de semiconsciência.
A conversa entre a sua sogra e Orlando ecoou em seus ouvidos.
— Eu não vou em casa há seis meses. Como eu ia adivinhar que ela tinha uma úlcera estomacal tão grave?
A voz de Orlando soava abafada e carregada de exaustão.
— E você ainda tem a cara de pau de falar isso? Se você não tivesse a audácia de levar aquela mulher para aquele lugar, acha que a Clarice teria cuspido sangue de tanta raiva até desmaiar? Pouco me importa o quanto você gosta da Melissa. A Sra. Carneiro só pode ser a Clarice.
— A Melissa está grávida de um filho meu. Essa criança jamais poderá nascer com o estigma de bastarda. Se a Clarice quiser continuar sendo a Sra. Carneiro, ela terá que aceitar esse bebê.
Os olhos de Orlando eram frios e implacáveis. Já que Clarice havia descoberto tudo, era o momento perfeito para deixar as coisas claras.
— Você é um tolo! O Grupo Carneiro ainda precisa consolidar o seu poder na capital. A Clarice, afinal de contas, pertence à Família Adriel. Você a humilha desse jeito, e acha que a Família Adriel vai fechar os olhos? A menos que você consiga superar o poder da Família Adriel, até lá, não pense em fazer o que quiser com a Clarice.
A voz de Fátima amoleceu:
— Eu sei que o seu coração pertence só à Melissa, e a criança na barriga dela também é meu neto. Mas, para a Clarice assumir o bebê, precisamos garantir o silêncio dela. Espere só mais um tempo. Se ela continuar tomando aquele remédio por mais um mês, perderá completamente a capacidade de engravidar. Quando chegar a hora, você registra o filho da Melissa no nome da Clarice. Basta tratá-la com um pouco de carinho. Ela te ama tanto, que aceitará tudo de braços abertos.
— O que você disse? Mãe, o que está acontecendo? — perguntou Orlando, confuso.
Fátima tentou acalmá-lo, desviando do assunto:
— Não se envolva nisso. Apenas confie em mim.
O quarto mergulhou num silêncio mortal, seguido pelo clique suave da porta se fechando.
Deitada na cama, completamente lúcida, Clarice sentiu seu coração ser envolvido por uma crosta de gelo.
Um peso esmagador a puxava para o abismo, e cada batimento doía como se fibras fossem rasgadas.
Que jogada cruel. O cinismo deles estava escancarado diante dela.
Não queriam apenas destruí-la fisicamente, mas também subjugá-la para criar o filho de outra mulher.
Se ela cedia e se contentava com tão pouco, era simplesmente porque amava. Mas, já que o prêmio por seu amor não passava de traição calculada, o que mais importava?
Clarice abriu os olhos abruptamente, lutando contra o maremoto de fúria que ameaçava sufocá-la.
— Você acordou? Está sentindo alguma dor?
Orlando relaxou a testa ao vê-la desperta. Embora as palavras fossem de preocupação, sua expressão transbordava uma desatenção calculada.
Clarice encarou o teto com frieza, o amargor tomando conta de sua alma.
Ela finalmente compreendeu: à medida que o amor se desfazia, sua visão tornava-se cada vez mais nítida.
Sentou-se vagarosamente, fitando o homem que havia amado por longos cinco anos. Ele continuava lindo e elegante, mas, aos olhos dela, seu rosto havia se tornado uma máscara repugnante.
— Orlando, já que o seu grande amor voltou e vocês estão esperando um filho, vamos nos divorciar e deixar vocês em paz.
— Divórcio?
Orlando soltou uma risada sarcástica, como se tivesse acabado de ouvir a melhor piada do mundo.
— Tem coragem de se separar, Clarice? Lá atrás, foi você quem correu rastejando atrás de mim.


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