— Fique tranquilo, Sr. Carneiro. Mas, aproveitando a ocasião, assine logo os papéis do divórcio. Podemos marcar uma data e já resolver essa burocracia de uma vez.
O rosto de Orlando escureceu instantaneamente. O sorriso radiante no rosto de Clarice o irritava profundamente, e ele cerrou os punhos até os nós dos dedos estalarem.
Olhar para aqueles papéis de divórcio o fez lembrar novamente da determinação cruel que Clarice mostrara naquela noite.
— Divórcio? Quem te deu coragem para me propor isso? Foi você quem implorou por esse casamento, e sou eu quem decide se ele acaba ou não.
Os papéis do divórcio foram atirados por ele na fragmentadora.
Clarice observou a cena sem qualquer alteração de humor.
— Por que não aceita o divórcio? A Melissa está desesperada pela posição de Sra. Carneiro.
— Isso é assunto meu e da Melissa, você não tem o direito de se intrometer. Além do mais, eu não sou um ingrato que abandonaria a mulher que esteve ao meu lado nos momentos difíceis. Afinal, você esteve comigo por cinco anos; mesmo que não haja amor, existe afeição entre nós. — Orlando recostou-se na cadeira, falando com um tom de completo desdém.
— Então eu não tenho mais o direito de tomar decisões sobre o meu próprio casamento? — Clarice riu com escárnio.
— Orlando, não tente se fazer de nobre. Você não quer se divorciar de mim, e acha que eu acredito que o motivo seja essa sua afeição insignificante?
— Não seria por causa da minha posição como herdeira da Família Adriel?
Clarice lançou um olhar gélido para Orlando. Queria ver se ele teria hombridade o suficiente para admitir a sua hipocrisia na cara dura.
Ao ouvir essas palavras, o rosto de Orlando ficou terrivelmente sombrio, sem saber se estava se sentindo humilhado ou se por ter o lado obscuro de seu coração exposto.
Ele se levantou de um salto, contornou a mesa e agarrou o queixo de Clarice com força, o olhar frio como gelo.
— A sua posição como herdeira da Família Adriel? Quando foi que o Wilson Adriel reconheceu a minha existência? Como você ainda tem a audácia de falar sobre isso?!
Orlando estava furioso. Nos dois anos de casamento, Clarice sempre havia se recusado a levá-lo à casa de sua família.
Bastava que ela tivesse cedido um pouco e, com o quanto Wilson a mimava, a Família Carneiro já teria o seu espaço garantido na capital há muito tempo.
Não haveria a menor necessidade de ele se matar procurando contatos por conta própria.
Forçada a erguer a cabeça e encará-lo, Clarice franziu o cenho em uma ruga profunda.


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