Clarice moveu-se para desviar de Orlando, mas teve o caminho bloqueado mais uma vez.
— Eu só quero confirmar uma coisa com você — disse Orlando.
Ultimamente, ele vinha sonhando com frequência. Nos sonhos, surgiam cenários com os quais ele não estava familiarizado.
Mas, nesses sonhos, Clarice estava presente, a mesma Clarice da sua juventude.
Clarice franziu a testa.
— Desculpe, não tenho tempo. Como eu já disse, negócios na empresa, assuntos pessoais não são necessários.
Orlando estava prestes a falar novamente, quando Erasmo se aproximou segurando uma taça de vinho.
Ele colocou o braço na cintura de Clarice e lançou um olhar frio para Orlando.
— Você precisa de algo com a minha mulher?
Orlando fixou o olhar na mão grande pousada na cintura de Clarice, enquanto trincava os dentes com tanta força que faziam barulho.
Quase esmagou a taça que segurava.
Mas ele não podia perder a calma. No momento, não tinha o direito de fazê-lo.
Ergueu a cabeça e forçou um sorriso novamente.
— Ainda há alguns objetos antigos em casa, e pensei em pedir para Clarice passar lá para buscá-los.
— Clarice? Eu não espero ouvir isso uma segunda vez. Se você não conseguir se manter no seu lugar, não me importo de adquirir completamente a Família Carneiro.
A expressão de Erasmo era severa, e o aviso implícito em seus olhos fez Orlando tremer de medo.
O sorriso em seu rosto esfriou gradualmente, enquanto as mãos escondidas nas mangas se cerravam com força.
Humilhação, desonra. Aquilo o fez sentir mais uma vez o peso esmagador que o poder e o status exerciam sobre ele.
Orlando afastou-se, cabisbaixo, permitindo que Clarice entrelaçasse o braço no de Erasmo enquanto caminhavam em direção a um canto mais reservado.

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