Erasmo deu uma rápida olhada e sorriu.
— Claro que é para você se inteirar da minha agenda e das operações da empresa.
Clarice deixou os documentos de lado.
— Você vive tão atarefado todos os dias. Não precisa vir me buscar, eu posso muito bem voltar dirigindo sozinha.
Erasmo balançou a cabeça.
— Eu quis que você visse a agenda para saber o que eu faço o dia inteiro. E buscar você depois do expediente faz parte desse planejamento.
Ele deu um beijo rápido nos lábios dela antes de prosseguir.
— Clarice, eu sou o seu marido, e maridos servem para serem usados. Em qualquer aspecto que seja, use e abuse à vontade.
Ao dizer as últimas palavras, Erasmo já roçava os lábios rente à orelha dela.
E logo começou a descer em direção ao pescoço.
O toque causou um arrepio gostoso que a fez encolher os ombros.
Ela o empurrou levemente pelo peito.
— Pare com isso, já entendi.
Seu rosto esquentou, pois as palavras de Erasmo sempre a faziam imaginar cenários um tanto quanto impróprios.
Não sabia se ele fazia isso de propósito ou se era a sua própria mente que já não era mais tão inocente.
— A sua agenda de hoje inclui um coquetel à noite, como é que você ainda arranjou tempo para vir me buscar para jantar?
O sorriso de Erasmo se abriu, sedutor.
— Você é a minha acompanhante!
Clarice exclamou, surpresa:
— Hã? Mas como eu vou a um coquetel com essa roupa?!
Erasmo afagou a pontinha do nariz dela.
— Fique tranquila, eu já cuidei de tudo.
Uma hora depois, vestida em um elegante vestido roxo, Clarice acompanhava Erasmo, caminhando lado a lado.
Como as fofocas da capital ainda não haviam chegado à Cidade H, os presentes sequer desconfiavam de que os dois eram casados.
Ao cumprimentá-la, chamavam-na simplesmente de Clarice.
Tratava-se apenas de um coquetel de negócios comum. O único dever de Clarice era permanecer sorridente ao lado de Erasmo.
Em outro canto, Orlando também atraía certa atenção. De volta à Cidade H, havia recuperado todo o seu ar de superioridade.
Naquele lugar, todos deviam se curvar e chamá-lo respeitosamente de Sr. Carneiro.
Uma pequena multidão se formava ao seu redor, agindo como seus bajuladores.

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