Clarice sorriu levemente.
— Acho que o Sr. Ribas está enganado. Eu apenas sigo o que está no contrato. O Sr. Neves me garantiu que, durante a vigência do meu contrato, todas as decisões referentes à produção seriam exclusivamente minhas.
Murilo soltou Melissa e deu dois passos na direção de Clarice, revelando a fúria obscura em seu olhar.
Ele disparou, em tom de ameaça:
— Você está usando o Sr. Neves para me intimidar?
Clarice recuou um passo, mantendo o sorriso, embora seus olhos estivessem gélidos.
— O Sr. Ribas está exagerando. O Sr. Neves leva este projeto muito a sério. Para não trair a confiança dele e para garantir a qualidade impecável da produção, eu tenho certeza de que o Sr. Ribas, no meu lugar, tomaria a mesma decisão.
Murilo a observou semicerrando os olhos por um longo instante e, de repente, deu uma risada.
Ele voltou a envolver a cintura de Melissa.
— É uma sorte tremenda para a empresa ter a Senhorita Clarice se dedicando de corpo e alma dessa maneira.
— Coincidentemente, amanhã à noite a empresa dará uma festa de boas-vindas para celebrar o retorno do Sr. Neves ao país.
— Embora a Senhorita Clarice tenha apenas um vínculo de parceria com a empresa, ainda teremos muitos outros projetos pela frente.
— Interagir com os outros departamentos será inevitável. Sendo assim, convido-a formalmente a comparecer. Muitos diretores renomados também estarão presentes para prestigiar o evento.
— Será uma oportunidade valiosa para aprendizado e troca de ideias. A Senhorita Clarice não vai recusar, certo?
Clarice esboçou um sorriso polido.
— É claro que não. Muito obrigada, Sr. Ribas.
Murilo foi embora levando Melissa, e o sorriso no rosto de Clarice se desfez gradualmente.
Não era à toa que Melissa havia conseguido o papel de segunda protagonista de bandeja. Murilo era o grande padrinho por trás dela.
E daí? Para entrar na equipe dela, se não houvesse o seu aval, seria absolutamente impossível.
No entanto, Clarice precisava se preparar bem para a festa de boas-vindas do dia seguinte.
O olhar que Murilo lhe lançou antes de partir a deixou com uma sensação inquietante.
À noite, Erasmo passou para buscá-la no trabalho, como de costume. Porém, quem abriu a porta do carro para ela foi Luan.
Clarice olhou com estranheza para a perna de Luan.
— A sua perna já curou?
Luan manteve sua feição eternamente séria.
— Já estou bem. Por favor, senhora, entre no carro.
Mesmo intrigada, Clarice não prolongou o interrogatório.

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