Os olhares ao redor de Beatriz carregavam um desprezo claro. Pareciam agulhas finas, causando um incômodo desnecessário.
— No fim das contas, é porque falta a educação da mãe. Apesar de ser bonita, o jeito que ela age não é nem um pouco decente.
— Beleza não enche barriga. O mais importante é se portar bem e ser capaz de assumir grandes responsabilidades. Se o Grupo Cavalcante cair nas mãos dessa pessoa, a falência vai ser rápida.
— Que dó da segunda filha dos Cavalcante. Ela com certeza não aguentou mais ser humilhada e acabou explodindo em público dessa vez.
— Ela é muito sem vergonha. Depois de tudo, ainda tem a cara de pau de ficar aí. Se fosse eu, já teria fugido de tanta vergonha.
— Irmã, eu não te culpo. O que eu posso fazer se somos irmãs? — Isadora deu um passo à frente, segurou o braço dela e disse em voz baixa. — Pare de passar vergonha aqui! Volte logo!
Beatriz segurou de volta a mão dela com leveza e sorriu. — Maninha, para que a pressa? Eu disse agora pouco que você não tinha cérebro, e pelo visto não levou nada a sério. Quando planejou tentar me sujar, não olhou se não tinha nenhuma câmera de segurança no salão?
Ela olhou na direção sudeste, onde havia uma câmera escondida instalada em silêncio.
O detalhe é que ela estava coberta pela decoração. Então, quem não olhasse de perto, não iria achar.
Quando Isadora se jogou contra ela há pouco, Beatriz esquivou com rapidez, olhou ao redor e, com destreza, descobriu a câmera escondida no canto sudeste.
Isadora seguiu o olhar dela, e o seu rosto ficou pálido na hora. Aquela pose de vitória desapareceu no mesmo instante, e o desespero tomou conta de seus olhos.
— Que tal pedir pro pessoal do hotel buscar as imagens da câmera e ver se você armou um showzinho para mim, ou se eu te constrangi de propósito? — A voz de Beatriz não estava alta nem baixa, mas soou de forma clara para que todos os presentes ouvissem. — Ou talvez você tenha montado toda essa cena, fazendo todo mundo de idiota?
Ao dizer a palavra idiota, ela fez questão de enfatizar, com um tom de zombaria.
— Quem não deve, não teme! A minha consciência está limpa!
Isadora fingiu estar calma e lançou um olhar discreto para Gabriel. Ele entendeu, deu alguns passos para trás em silêncio e sumiu logo em seguida.

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