Ela não esperava que Theo a levasse ao banheiro.
— Lave direito.
Theo ergueu o queixo, com o olhar nas pontas dos dedos dela.
Só então Beatriz notou a sujeira nos dedos, colocou a proposta na pia e abriu a torneira para lavar as mãos.
A água fria escorreu pelos dedos, e a sensação fria de limpar a sujeira subiu, reprimindo um pouco a amargura em seu coração.
Ela abaixou a cabeça, esfregando os dedos, e ouviu o som de páginas virando ao seu lado.
Theo pegou a proposta na pia, folheando as páginas com os dedos de nós marcados, olhando atentamente.
Pouco depois, ele falou em um tom calmo e confiante: — Bom trabalho.
Beatriz fechou a torneira, pegou uma toalha de papel e enxugou as mãos, com um movimento de hesitação autodepreciativa.
— De que adianta ser bom? Se ninguém apreciar, é só uma pilha de papel inútil.
Theo ergueu uma sobrancelha. — Esse projeto é muito importante para você?
— Claro. Isadora não aceita a decisão do pai de me nomear vice-presidente, então ele nos testou. Ninguém gosta de ser rebaixado.
Com a personalidade arrogante de Isadora, se ela realmente assumisse o cargo de vice-presidente, não se sabe como a provocaria e daria ordens.
Beatriz Cavalcante, ou não fazia, ou fazia o melhor!
— A senhorita Beatriz ainda se lembra do que me prometeu hoje? — Theo perguntou, olhando para ela com um meio sorriso.
— Hã?
O assunto mudou muito rápido; ela reagiu com um lampejo de culpa nos olhos.
Ela lembrava, claro, mas na época foi apenas para convencê-lo a trazê-la para dentro.
— Não estou no clima... que tal marcarmos para outro dia?
Dizendo isso, puxou a proposta das mãos dele, querendo fugir.

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