Depois de se lavar, ela tomou café da manhã na lanchonete e foi para a empresa devagar.
Pegou o elevador como de costume até o escritório do presidente no último andar.
Ao abrir a porta, viu que Otávio não estava sozinho.
Isadora estava sentada bem-comportada no sofá, olhando para ela com alegria pela desgraça alheia.
— Pai, mandou me chamar?
Ela foi até a mesa, falando naturalmente.
Quando falou, notou que a voz estava muito rouca.
— Resfriada?
Otávio levantou os olhos, preocupado.
— ...Um pouco, acho que peguei vento ontem à noite. — Beatriz deu uma desculpa.
Otávio desconfiou. — Onde você foi ontem?
— Encontrei um amigo ontem. Acabamos tarde e fui dormir na casa de uma amiga.
— Que amigo? Homem ou mulher?
Pelo visto Isadora se aproveitou e a delatou para o pai.
Ainda bem que o cafajeste teve limites ontem e não deixou marcas nela.
— Homem. É normal eu ter amigos homens, não é? Minha irmã também não foi à festa com um ontem? — Beatriz suspirou e fingiu estar triste. — E o acompanhante dela ajudou a me acusar.
— Beatriz, pare de falar besteira!
Isadora levantou apressada. — Pai, a mãe do Gabriel é amiga íntima da mamãe. O senhor já o viu. Ele é bonito, elegante e humilde, como seria esse tipo de pessoa?
Ontem à noite ela temeu que a mídia noticiasse, então pediu que a mãe comprasse o material deles.
— A gente conhece o rosto, mas não o coração. Alguns parecem elegantes, mas é só aparência; na verdade são obscuros e egoístas. Ontem, quando as coisas foram reveladas, ele te atacou sem pena, e minha irmã ainda não aprendeu?
Beatriz não falava rápido nem devagar, mas soava muito convincente.

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