Quando se preparava para tirar a maquiagem, o celular de repente tocou. Era Letícia Rocha.
— Amiga, quer ir jantar na Brisa do Campo?
Beatriz concordou: — Até mais.
Ela desceu e viu a empregada segurando a mão de Bernardo Cavalcante. O menino usava uma mochila e caminhava com as perninhas curtas; dava para ver que tinha acabado de sair da escola.
— Bernardo, venha aqui para a mamãe.
Heloísa sorriu suavemente e acenou para ele.
Bernardo estava prestes a correr até ela, mas quando olhou para a pessoa descendo as escadas, os seus olhos brilharam na mesma hora.
— Irmã zona!
A voz era clara e cheia de alegria.
Os cantos dos lábios de Beatriz se levantaram: — Bernardo, você voltou da escola?
— Sim! Irmã zona, eu tirei cem hoje e a professora me recompensou com uma bala de leite, vou te dar!
Ele correu até ela, tirou o doce do bolso e o segurou de forma solene.
Beatriz estendeu a mão e afagou o topo da cabeça dele.
— Isso é uma recompensa da professora, guarde para você comer.
Como ela roubaria o doce de uma criança?
— Bernardo, eu também sou sua irmã! Se ela não quer, me dê, eu adoro doces.
Isadora saiu da cozinha segurando um prato de frutas, e, ao ver o irmão tentando agradar a pessoa que ela mais odiava, o seu rosto escureceu imediatamente.
— Irmã zona, eu não quis comer esse doce. Trouxe de volta só para você.
Bernardo ficou com medo de que alguém roubasse o seu doce. Apressou-se para enfiá-lo na mão de Beatriz, e olhou para Isadora com cautela.
Os dentes de Isadora cocavam de raiva.
Quem era a verdadeira irmã dele?
Beatriz hesitou, olhou para a palma de sua mão e sorriu suavemente.
Ela se agachou devagar e desembrulhou a bala com cuidado.
— Bernardo, abra a boca.
Bernardo abriu a boca.
Beatriz jogou a bala na boca dele com a ponta dos dedos.

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