— Eu não estive sempre assim? — Beatriz retribuiu com um sorriso, com uma leveza rara na voz.
— Você já se acostumou nos últimos dois dias na empresa? Ninguém te causou problemas?
— Sim, eu tive alguma ajuda, então tudo ocorreu bem.
Beatriz tirou o casaco, o pendurou no cabideiro e sentou-se à frente dela.
Ela aceitou o chá quente de Letícia, passando levemente o dedo pelas bordas do copo.
— Já se passaram três anos, e este lugar não mudou nem um pouco.
Era um lugar onde as duas costumavam ir durante a faculdade. Silencioso, com comidas ótimas, tornou-se o esconderijo secreto delas após algum tempo.
— Verdade — Letícia suspirou. — Mas cheguei um pouco mais cedo hoje e a dona me contou que planeja fechar este lugar em breve.
— Por quê? — Beatriz hesitou.
— A filha dela adoeceu e ela precisa voltar para cuidar dela.
— Que pena.
— Que tal se comprarmos este lugar? Assim podemos ajudá-la.
Beatriz ergueu os olhos: — Está falando sério?
— Sim. — Letícia assentiu. — A pequena empresa que o meu padrasto deixou vem passando por dificuldades e eu planejava fechar. Eu compro o Brisa do Campo, e depois eu o gerencio.
— Vamos tentar negociar o valor com a dona daqui a pouco, então.
Durante a refeição, Letícia perguntou: — Haverá uma reunião da faculdade daqui a alguns dias, você vai?
Beatriz franziu a testa. Ela não tinha intenção de ir.
— Você vai?
— Eu vou. — Letícia tinha um traço de esperança imperceptível no olhar. — Ouvi dizer que Diego Medeiros também estará lá.
— Três anos se passaram, você não conseguiu esquecê-lo?
Beatriz estava surpresa. Desde a formatura, não havia ouvido esse nome da boca de Letícia.
— Não se pode simplesmente esquecer de repente.
Ele foi o primeiro amor dela.

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