Beatriz atendeu.
— Alô?
Nenhuma resposta do outro lado; apenas a respiração leve.
Ela abaixou a voz: — Se você não for falar, eu vou desligar.
— Beatriz, sou eu.
Assim que ela ouviu, desligou o celular e arrastou o número para os contatos bloqueados.
Letícia olhou para ela com dúvidas. — Quem era?
— Arthur Vasconcelos.
— Ele ainda não desistiu de você?
— Antes de eu deixar Vila Serena, vendi metade das ações da Vanguard Tech para o seu inimigo. — A voz de Beatriz estava tranquila, como se o que tivesse ocorrido não a preocupasse mais.
— Bom trabalho! — Letícia elogiou com orgulho e ficou preocupada. — Ele deve ter ficado furioso. Mas e se ele vier causar problemas a você?
— Que direito ele tem de tentar se resolver comigo? — Beatriz zombou. — Você acha que ele teria conseguido sem a minha ajuda?
Com a sua própria capacidade, Arthur até poderia ter passado por isso, mas ele não seria capaz de abrir a Vanguard Tech e manter os pés firmes no mundo dos negócios.
Letícia hesitou. — Então você... Ainda gosta dele?
— Eu já o superei faz tempo.
Desde que ela partiu de Vila Serena, eles viraram a página.
Ela se recusava a ser refém de um relacionamento ruim.
...
Depois do banho, Beatriz deitou em sua cama grande e macia.
A foto borrada voltou-lhe à mente mais uma vez. Quando recuperou os sentidos, ela já tinha mandado a mensagem para Theo:
[Sr. Hoffman, para onde você viajou?]
Ela queria cancelar a mensagem, mas uma ligação já havia sido feita.
— Srta. Cavalcante, mal passei um dia longe e você já está morrendo de saudades minhas?
A sua voz rouca tinha um toque de flerte. O cenário que antes estava barulhento silenciou quando a porta se fechou.
Beatriz tossiu levemente. — O Sr. Hoffman está imaginando as coisas. Foi só por acaso.
— Porto Marítimo — Theo respondeu com um sorriso e fez uma pausa. — Quer vir me encontrar?

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