POV: SKY
— Ai, que droga!
Rolei para o lado na cama, me enrolando inteira no lençol, e comecei a me chacoalhar em desespero absoluto. Chutei o ar, girei o corpo e fiz tanta força para descarregar o pânico que perdi o controle da beirada e caí com tudo no chão.
O som abafado do meu corpo batendo no tapete ecoou pelo quarto. Fiquei estirada de barriga para cima, encarando o teto e tentando processar a minha humilhação.
— Perfeito — murmurei para o nada.
Levei as duas mãos à cabeça e apertei meus cabelos.
— O que você está fazendo, Sky? É só respirar. É só respirar.
Puxei o ar. Nada. Meu peito parecia uma sanfona emperrada.
— Respira, desgraçada — ordenei a mim mesma.
Puxei de novo. Dessa vez entrou ar suficiente para eu continuar viva, mas não o bastante para parecer uma pessoa emocionalmente equilibrada.
Não dormi a noite toda pensando na ligação e sabendo que veria ele hoje. Às quatro da manhã eu até estava com coragem para enfrentá-lo, cheguei a me maquiar, porém agora...
Queria cavar um buraco e me enfiar.
— Covarde! Sky! Uma grande covarde! — repeti para mim mesma.
Ouvi passos no corredor e, em seguida, duas batidas curtas na madeira.
Toc. Toc.
— Sky? — a voz da Moon veio do outro lado, enquanto a porta se abria devagar. — Você está bem?
Era agora. Eu precisava de uma doença. Uma doença convincente, grave e com nome pomposo, que me permitisse passar o dia inteiro deitada e, principalmente, não pisar naquela reunião.
Esfreguei a garganta rápido e comecei a tossir. Uma tossida, duas, e na terceira coloquei a mão no peito, fazendo um esforço tão grande que quase engasguei de verdade.
— Não... — respondi com a voz esganiçada, me encolhendo no tapete. — Não estou bem. Acho que peguei uma pneumonia fulminante.
Moon apareceu no vão da porta, encostou no batente e ficou me olhando em silêncio. Eu continuei sofrendo no chão, soltando um gemido mofado.
— Pneumonia? — ela perguntou.
— É.
— Fulminante?
— Muito.
— Você estava ótima ontem à noite, Sky.
— As doenças não marcam hora, Moon.
Ela cruzou os braços, me analisando lá de cima.
— Você está no chão?
— Estou.
— Por quê?
— Fraqueza muscular súbita.
— E por que você está usando maquiagem completa às oito da manhã?
Pisquei, passando a mão no meu rosto. Droga.
— Febre estética — respondi sem piscar.
Moon fechou os olhos por dois segundos, respirando fundo.
— Febre estética?
— É uma coisa muito séria.
— Imagino.
Cobri os olhos com o braço.
— Acho que vou morrer.
— Vai morrer de quê?
— Ainda não sei. Estou esperando a evolução do quadro.
Moon se aproximou, agachou ao meu lado e encostou a mão na minha testa.
Fiquei imóvel.
Ela ficou imóvel.
Eu fiquei ainda mais imóvel.
Então ela ergueu uma sobrancelha.
— Você está normal.
— Isso é porque minha doença é interna.
— Sky...
— Pode ser uma pneumonia silenciosa.
— Você não tem pneumonia.
— Como você sabe? Eu posso estar morrendo por dentro!
— Porque eu conheço você — ela se levantou, me encarando com os braços cruzados. — Isso tem a ver com um certo alguém?
— Lógico que não! Rocco? Não tem nada a ver com ele! — dei um pulo do chão tão rápido que quase bati a cabeça na quina da cama. — Por que tudo precisa ter a ver com esse homem?
Moon nem piscou.
— Eu não falei o nome dele.
O silêncio engoliu o quarto. Merda.
— Eu só estava... antecipando a acusação — tentei consertar, ajeitando a roupa. — É uma técnica de defesa muito utilizada por pessoas inocentes.
— Aham.
— Então estamos de acordo.
— Não estamos.
Bufei, desistindo da pose e me sentando de vez no tapete, abraçando meus joelhos.
— Eu não quero ir, Moon. Para lugar nenhum. Quero passar o resto da minha vida aqui neste chão. Posso trabalhar remotamente. Mandar relatórios por pombo-correio.

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