POV: CHRISTIAN
As pás do helicóptero foram perdendo a força até pararem quase por completo, cortando o barulho ensurdecedor da turbina. Soltei o meu cinto, empurrei a porta da aeronave e desci primeiro na pista do heliponto.
Virei de frente, estendi os braços e segurei a Moon pela cintura, descendo o corpo leve dela com cuidado até os pés calçados com salto fino tocarem o chão firme.
Ela estava em choque. O vento do mar batia no vestido branco dela, jogando os cabelos loiros para trás enquanto ela olhava ao redor sem saber para onde apontar os olhos verdes.
Um caminho de madeira iluminado por dezenas de tochas e luzes embutidas no piso cortava a encosta de pedras, levando direto até a entrada da propriedade. No centro do trajeto, um tapete vermelho se estendia por vários metros, com milhares de pétalas de rosas frescas espalhadas pelas laterais, criando um contraste absurdo com a escuridão da noite.
A Moon apertou os dedos no meu braço, a boca aberta, os olhos brilhando com a luz das tochas:
— Meu Deus... Christian... Meu Deus, olha isso tudo.
Sorri de lado, sentindo o peito inflar só de ver o deslumbre estampado na cara dela.
— Você tá com fome, ratinha? — perguntei, passando a mão pelas costas dela.
Ela balançou a cabeça devagar, ainda paralisada:
— Não... Eu não tô com fome ainda. Eu não consigo nem pensar em comida olhando para um lugar desses.
Ela ergueu o queixo, encarando a fachada imensa da mansão moderna, com as paredes inteiras de vidro refletindo a iluminação dourada e a imensidão do oceano logo abaixo do penhasco.
— De quem é essa casa? — ela perguntou, a voz quase sumindo.
— É da minha família — respondi, puxando-a para mais perto do meu quadril. — Mas a partir de hoje, esse lugar é o nosso refúgio.
O caseiro da propriedade se aproximou em silêncio, mantendo a postura respeitosa, e pegou a mala pequena que eu tinha trazido.
Olhei direto para o homem e dei as coordenadas com a voz firme:
— Leve a mala para a suíte principal. E recolha todos os telefones da casa e os nossos celulares. Deixe tudo guardado aqui embaixo. Ninguém atende ligação e ninguém trabalha pelos próximos três dias.
— Sim, senhor Blackwood.
O funcionário se afastou na direção do piso térreo.
Antes que a Moon pudesse dar mais um passo pelo tapete vermelho, passei um braço pelas costas dela, enfiei o outro por baixo das coxas macias e a ergui do chão em um movimento só, ajeitando o corpo dela no meu colo.
Ela soltou uma risada solta e gostosa, jogando os dois braços ao redor do meu pescoço:
— Christian! O que você tá fazendo? Não é assim que se carrega as pessoas!
— É exatamente assim que eu vou te carregar — respondi, encarando o sorriso lindo nos lábios dela.

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