POV: CHRISTIAN
Depois que saí do hospital com o Rocco, não consegui dormir.
Passei o restante da madrugada no meu apartamento, andando pela sala com um copo de uísque na mão. As frases que o Otávio tinha escrito no caderno não saíam da minha cabeça.
Se aquele homem realmente era amigo do meu pai e do pai do Rocco, então a história que as nossas famílias contavam há anos estava furada. Talvez até fosse mentira.
Eu precisava descobrir a verdade. Mas também precisava pensar em como conversar com o meu pai sem provocar uma guerra dentro da família antes de ter todas as respostas.
Peguei o celular várias vezes. Tinha mandado mensagem para a Moon assim que cheguei em casa, mas ela não respondeu.
Tive vontade de pegar o carro, ir até o prédio dela e conferir se estava tudo bem. Porém, me contive. A Sky estava com ela, e as duas tinham passado por uma noite difícil. Aparecer no apartamento no meio da madrugada poderia assustar as meninas ou soar invasivo demais.
A Moon provavelmente estava dormindo, exausta.
Fui para o escritório, abri o computador e comecei a pesquisar lugares reservados para viajar. Também procurei opções de passeios exclusivos e ideias para preparar uma surpresa completa para ela.
Eu queria tirar a Moon daquele apartamento por alguns dias e proporcionar um fim de semana perfeito, longe do Gouveia e de toda essa confusão.
No início da manhã, tomei um banho gelado, vesti um terno bem cortado e fui direto para a construtora.
Assim que entrei na minha sala, liguei o interfone para a recepção:
— Peça para a Sakura vir até a minha sala, por favor.
— Sim, diretor Christian.
Desliguei o interfone e comecei a conferir os horários disponíveis para o nosso voo. Eu pretendia sair na quinta-feira à noite, antes da audiência marcada para sexta. Até o juiz analisar o pedido de adiamento, era mais seguro manter a Moon longe da cidade.
Dois minutos depois, bateram na porta.
— Entra.
A Sakura colocou a cabeça para dentro. Os olhos dela estavam arregalados e ela apertava uma prancheta contra o peito:
— Diretor Christian? O senhor mandou me chamar? Aconteceu algum problema com as plantas do resort?
— Não. Entra e fecha a porta.
Ela entrou devagar e sentou na cadeira diante da minha mesa:
— Se tiver qualquer erro no projeto, a equipe pode corrigir agora mesmo...
— Não tem nada de errado com o projeto — interrompi com calma. — Chamei você para falar sobre a Moon.
A Sakura piscou, confusa:
— Sobre a Moon?
— Eu e a Moon estamos juntos — falei de forma direta. — E vou levar a sua amiga para viajar na quinta-feira à noite.
A preocupação desapareceu do rosto dela no mesmo segundo:
— O quê?!
— Quero que ela passe alguns dias longe do Gouveia e de toda essa pressão. A audiência de sexta-feira ainda está na pauta, e o pedido de adiamento só vai ser analisado depois que for protocolado. Até lá, prefiro mantê-la protegida.
A Sakura ficou imóvel por alguns segundos. Depois, abriu um sorriso enorme e bateu as palmas das mãos, animada:
— Meu Deus! Eu realmente não esperava por isso! Então você é o homem misterioso que estava deixando a Moon completamente maluca esses dias?
— Sou eu mesmo.
— Eu sabia que tinha alguma coisa no ar!
— É exatamente por isso que te chamei. Quero preparar uma surpresa para ela e preciso da sua ajuda.
A Sakura se acomodou melhor na cadeira:
— Pode perguntar o que quiser, diretor.
— Que tipo de lugar ela gostaria de conhecer? Ela prefere algo calmo ou gosta de passeios? Tem alguma comida que ela não suporte? Alguma coisa que a deixe desconfortável?
Ela respondeu a tudo com boa vontade. Me contou os lugares que a Moon sonhava em conhecer, as comidas preferidas e o tipo de ambiente que a deixaria completamente à vontade. Também deu detalhes simples sobre coisas que a amiga achava românticas.
Prestei atenção e anotei mentalmente cada detalhe.
— A Moon sabe que vai viajar? — a Sakura perguntou.
— Não tecnicamente, é uma surpresa.
— E você quer que eu não fale nada?
— Não fala absolutamente nada.
A Sakura colocou a mão no peito, fingindo ofensa:
— Minha boca é um túmulo.

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