POV/ Moon
Tampei a boca com a mão livre, segurando a gargalhada e sentindo as minhas bochechas queimarem com a cara de pau da minha irmã. O Christian balançava a cabeça, achando graça da falta de vergonha da família dele.
— Sky! Pelo amor de Deus, olha a boca! O Christian tá aqui do lado ouvindo!
— E daí? Ele conhece o primo que tem e sabe muito bem como a gente se diverte. Mas e você, Moon? Como foi a noite? O Christian se comportou?
Tirei a chamada do viva-voz, coloquei o aparelho direto no meu ouvido e me levantei do colo do Christian. Dei passos lentos até a porta de vidro que dava para a varanda, olhando para o mar azul de Angra para falar baixinho, longe dos ouvidos dele:
— Sky... deixa eu te contar uma coisa antes que ele escute. Eu perdi a virgindade com ele de madrugada.
Um grito agudo quase estourou o fone do celular:
— MENTIRA! MANA! PARABÉNS! Eu não acredito! Que maravilhoso! Você tá bem? Ele cuidou de você direito?
— Foi incrível, Sky — confessei com um sorriso enorme, a voz quase sumindo de emoção. — Ele cuidou de cada detalhe, foi perfeito. Quando eu voltar para Porto Alegre a gente senta e eu te conto tudo com calma, senão o Christian vai ficar insuportável de tão convencido.
— Ai, que felicidade! Aproveita muito esse homem! E ó, o Rocco tá aqui insistindo para a gente se mudar para um lugar maior, mas eu já bati o pé e disse que a gente vai continuar no nosso apartamento. Ele que vá resolver a vida dele com aquela doida da Jussara primeiro antes de querer mandar onde eu moro.
— Tá certíssima, Sky. Não cede não. A gente se vê na terça para buscar o papai. Se cuida!
— Beijo, maninha! Aproveita a ilha!
Desliguei a chamada e respirei fundo a brisa fresca do oceano. A alta do meu pai marcada para terça-feira tirou a última ponta de angústia que ainda pesava no meu peito. Tudo estava se ajeitando.
Voltei para a cozinha e devolvi o telefone na mão do Christian.
Ele guardou o celular e me olhou com aquela firmeza que sempre me desconcertava:
— Pronto. Cabeça no lugar, pai bem. Agora sai desse dengo e sobe para colocar o seu biquíni. Os jet skis já tão abastecidos na garagem náutica.
Dei meia-volta em direção à escada, já matutando com os meus botões: vou pegar uma peça mais comportada, porque do jeito que esse homem é ciumento, se eu colocar um fio-dental ele vai ter um troço.
Coloquei o pé no primeiro degrau e a voz dele cortou a sala, calma e profunda:
— Moon. Você pode vestir o biquíni que você quiser, amor. O menor que tiver nessa mala.
Parei no degrau e olhei para trás, surpresa:
— Sério? Achei que você fosse muito mais ciumento. Pensei que ia me mandar descer com um macacão fechado até o pescoço.
O Christian abriu um sorriso lento, perigoso. Ele caminhou na minha direção, subiu o primeiro degrau e parou colado ao meu corpo, cobrindo todo o meu campo de visão com aquele tamanho absurdo.
Ele segurou a minha cintura com força, prensando o meu quadril contra a pele quente do abdômen dele, e abaixou o rosto até os lábios roçarem na minha orelha:
— Eu sou ciumento pra caralho, Moon. Doentiamente possessivo com o que é meu. E você é minha. Mas eu sou grande, sou forte e tenho dinheiro. Eu me garanto. Se algum infeliz olhar torto para você ou fizer gracinha, eu estalo os dedos e faço o sujeito evaporar do mapa antes de conseguir respirar de novo. Veste o que você quiser. Ninguém vai ter coragem de abrir a boca.
O tom dele era tão cru, tão seguro e carregado de uma autoridade tão brutal que o meu ventre deu um aperto quente.
Soltei uma risada baixa, encarando o maxilar dele:
— Você é convecido mesmo, né? Não tem medo de nada.
— Eu sei exatamente o que eu tenho nas mãos, ratinha.
Passei os braços pelo pescoço dele e o puxei para um beijo demorado, quente e cheio de vontade.

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