POV: ROCCO BLACKWOOD
Depois que devoramos os lanches na sala, deitamos um pouco para descansar da correria da semana. Antes de ela ir para o chuveiro, puxei a ruiva para o meio das minhas pernas no tapete e trancei o cabelo vermelho dela com calma, me demorando no peso daqueles fios compridos nas pontas dos meus dedos. Mandei que ela tomasse o banho dela sem pressa e vestisse algo confortável, mas fiz questão de exigir que colocasse aquele robe leve por cima. Eu precisava ver de perto o que aquele técnico quase tinha visto na cozinha dela.
Tomei uma ducha rápida no meu banheiro, vesti apenas uma calça de moletom cinza e deixei o peito nu. Peguei um chicote curto de tiras de couro trançado no suporte e fui para o corredor da cobertura esperar a minha mulher.
O som suave dos passos descalços dela no assoalho fez o sangue descer direto para a minha virilha. Quando a Sky dobrou a esquina do corredor, quase perdi o fôlego. O robe preto de tecido fino vinha amarrado frouxo na cintura, balançando a cada passo e desenhando as curvas daquele quadril largo.
Ô lá em casa. A visão daquela mulher caminhando na minha direção me dava um aperto bruto na garganta. O tesão que eu sentia pela Sky era um absurdo diário, uma fome que não passava nunca. Ficar só olhando para ela era uma tortura física: minha vontade real era prensar aquele corpo contra a parede agora mesmo, levantar aquele pano e me enterrar até o talo dentro dela sem perder um segundo.
Mandei construir um quarto inteiro com os melhores equipamentos, sonhando em aplicar dezenas de nós, amarrações e fetiches diferentes na pele dela. Mas a verdade é que qualquer jogo preliminar para mim era apenas uma contagem regressiva. Nada no mundo se comparava à sensação de estar enterrado fundo no calor apertado daquela mulher.
Esperei ela chegar a dois passos de mim. Antes que ela abrisse a boca para soltar alguma provocação, estiquei o braço, puxei uma tira larga de cetim do bolso traseiro da calça e passei pelos olhos dela, cobrindo a visão da ruiva com um laço rápido na nuca.
— O que é isso, Rocco?
— Confia em mim e anda — murmurei com a boca rente ao ouvido dela, sentindo a pele macia do pescoço arrepiar com a minha voz.
Apoiei as mãos espalmadas nos quadris dela e a conduzi devagar até a porta dupla de isolamento acústico. Girei a maçaneta de aço, empurrei a folha pesada e guiei a Sky para o centro do nosso quarto vermelho.
Puxei o nó do cetim e soltei a venda.
A iluminação indireta avermelhada banhava o espaço em sombras quentes. A Sky piscou algumas vezes, os olhos castanhos correndo pelas paredes e absorvendo cada detalhe. O pelourinho de madeira escura polida, a cruz de Santo André chumbada na alvenaria, a poltrona anatômica de couro com presilhas grossas, o balanço erótico suspenso por correntes pretas no teto e os painéis cheios de palmatórias e cordas de algodão.
A boca dela abriu em um espanto genuíno.
— Meu Deus do céu, Rocco... você montou um clube inteiro aqui dentro.
Ela continuou girando devagar até travar o corpo de frente para a parede lateral. Os olhos dela cravaram na moldura de vidro pendurada entre dois suportes de ferro.
Dentro do quadro, esticada sobre o fundo de veludo escuro, estava a calcinha de renda vermelha que rasguei dela dentro daquele elevador. Logo abaixo do tecido, a placa de latão polido brilhava sob a luz de LED:
O dia em que me resolvi com o amor da minha vida.
Sky levou as duas mãos à boca e soltou uma gargalhada solta, o som mais gostoso que eu já tinha escutado ecoar naquela cobertura.
— Eu não acredito nisso! — ela virou para mim, rindo tanto que as bochechas ficaram coradas. — Você emoldurou mesmo a minha calcinha? Você é muito bobo, Rocco!

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