POV: NATHAN
— Nathan!
Ouvi alguém me chamando de muito longe.
Ignorei.
— Nathan, anda! A gente vai se atrasar!
Franzi a testa, ainda de olhos fechados.
Não. Aquela voz não podia estar ali.
— Nathan!
Diego.
Meu Deus do céu.
Eu estava tendo um pesadelo.
Era isso. Um pesadelo horrível, daqueles em que a pessoa tentava correr, mas as pernas não funcionavam. Só que, no meu caso, eu estava preso na cama e meu melhor amigo tinha decidido me atormentar.
— Anda logo, cara!
Por favor, Diego. Não agora.
Vá embora.
Volte para o seu quarto.
Volte para a sua casa.
Volte para o útero da sua mãe, se possível.
— NATHAN!
Abri os olhos.
A claridade da manhã entrava pelas cortinas, e havia uma mulher dormindo tranquilamente ao meu lado, com os cabelos pretos espalhados pelo travesseiro e uma das mãos apoiada sobre meu peito.
Sakura.
Minha cama.
Meu melhor amigo do outro lado da porta.
Puta que pariu.
Não era um pesadelo.
Era muito pior.
— Nathan, você morreu aí dentro?
Olhei para a porta.
A maçaneta se mexeu.
Meu coração deu uma pancada tão forte que senti o peito doer.
Não.
Não, não, não!
A porta começou a abrir.
Num movimento desesperado, puxei o cobertor até cobrir completamente Sakura, inclusive sua cabeça, e me sentei na cama.
— EI!
Diego apareceu na porta.
— Finalmente! Estou te chamando faz uns dez minutos!
Meu coração estava batendo tão depressa que eu provavelmente conseguiria abastecer a casa inteira se alguém me conectasse a um gerador.
Diego entrou.
ENTROU!
O filho da mãe simplesmente entrou no meu quarto!
— Que porra é essa, Diego?!
Ele parou.
— Bom dia para você também.
— Por que você entrou no meu quarto?!
— Uai, porque você não acordava!
Olhei rapidamente para o volume debaixo do cobertor.
Sakura tinha acordado.
Eu sabia porque senti sua mão apertar minha coxa.
Apertei a mão dela por cima do tecido.
Não se mexe.
Pelo amor de Deus, mulher, não se mexe!
— Você não sabe bater na porta? — perguntei.
Diego franziu a testa.
— Eu bati!
— Então espera a pessoa responder!
— Nathan, a gente vai chegar atrasado!
— Eu ouvi!
— Então levanta!
— Agora não posso!
Ele ficou me olhando.
— Como assim não pode?
Passei a mão pelo rosto.
Eu precisava pensar.
Pensar depressa.
Infelizmente, meu cérebro tinha entrado em greve.
— Estou ocupado.
Diego olhou para mim.
Depois para a cama.
Depois para o volume suspeito ao meu lado.
Seu rosto mudou.
Ah, não.
Não.
Não faça essa associação, Diego.
Por favor.
— Pera aí...
Meu estômago afundou.
— O quê?
Ele apontou para o cobertor.
— Você trouxe uma mulher para cá?
O silêncio que se seguiu foi provavelmente o mais aterrorizante da minha existência.
Eu podia mentir.
Podia dizer que era um travesseiro.
Um travesseiro muito grande.
Um travesseiro com cabelos pretos, pernas e a capacidade de apertar minha coxa.
Porra.
— Trouxe — respondi.
Diego arregalou os olhos.
Depois abriu um sorriso enorme.
— AAAAAH!
— Fala baixo, caralho!

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